Reunião Inicial

PFUC1

Nos dias três, quatro e cinco de fevereiro (sexta, sábado e domingo) de 2012 estiveram reunidos na sede do grupo Maha Vana, em Ipanema, alguns representantes da Grande Síntese e outros convidados para o estabelecimento da pedra fundamental da Universidade do Coração. O pressuposto básico da Universidade do Coração é que a formação do ser humano representa um processo psico-sócio-político de descoberta de si mesmo.  Se não existe uma receita para se estabelecer um programa para a Universidade do Coração, existem, entretanto, alguns princípios e práticas em torno das quais vem se conseguindo resultados animadores, tal como se vê, por exemplo, nos projetos e experimentos desenvolvidos pela Grande Síntese na Fazenda Mãe Natureza. Dentre eles, destacam-se o Projeto Bambá e suas diversas oficinas – Oficina Canto do Mato, Oficina Teia da Vida, Oficina Papel de Ser, Oficina Palco da Vida, Oficina Menino do Dedo Verde, Oficina Arte da Terra e o Projeto Reviver.
Na Universidade do Coração, o diapasão para se encontrar a sintonia fina que nos revela em tudo o sagrado deverá ser, unicamente, o coração. Daí que a Universidade do Coração, tal como agora concebida, será aquela onde se aprenderá com o corpo todo, pois ela deverá levar cada um a se sentir todo coração. O seu campus, portanto, não poderá ser um campus comum. Necessitará ser criado e desenvolvido em torno de voluntários dispostos a consagrarem as suas vidas ao ideal de criarem um campus de revelação contínua do sagrado que se oculta em todas as experiências que a vida nos proporciona. Isto quer dizer que a Universidade do Coração deverá ser o campo onde servidores e estudantes interagirão como coautores do gradual processo de acesso, em Si mesmo, às profundezas do Ser.

A primeira condição para se acercar do coração é desenvolver a coragem para ser coerente e manifestar o que se é, verdadeiramente, pois, conforme bem nos lembrou Sta. Tereza, "O homem necessita viver toda a sua vida, amar todo o seu amor e morrer toda a sua morte" --  ou seja, é o coração que integra o homem dentro do plano da criação do próprio universo. Para se ter mais claro como este processo se dá, faça a seguinte experiência. Por alguns instantes, procure colocar o seu coração bem presente no agora. Pense naquela instância essencial do coração, que é pura, é alegre, holística e ativa. Há um pensamento de Clarice Lispector que nos remete a este sentido mais profundo de conexão com o "Si mesmo" que reside em nosso coração: "Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós." Ao entrar em "Si mesma", Clarice Lispector afasta-se do seu lado egoísta e participa do mundo, agora reapresentado sob a luz do coração. Ao contatar com o seu Espírito, equilibra as duas faces da Existência – a existência no universo do nosso Espírito interior e a existência projetada no mundo exterior.

Há absoluta concordância nas principais fontes da sabedoria humana de que somente quem se entrega de corpo e alma ao Ser que reside no coração desperta para este tipo superior de amor, na prática, ainda pouco conhecido dos seres humanos.  Este contato com o Ser no coração é algo que se lê em livros e se ouve em palestras e congressos, mas que raramente se vê acontecer na vida de uma pessoa. Para se chegar ao centro desta consciência temos que auscultar o campo dos "motivos", ou das motivações, onde se enraízam todas as ações e reações humanas. E temos que ter coragem para remodelar a nossa vida, renunciando a todos aqueles pequenos desejos pessoais que nos afastam do Espírito que anima o coração. Há que se desatar os nós do próprio coração, antes de se alcançar a genuína liberdade e a consequente capacidade de agir no mundo sem formar novos nós de escravidão.

Existe um texto de Affonso Romano de Sant'Ana que se chama "Desaprendendo a Lição", onde ele discute a tese de Roland Barthes de que é preciso "desaprender", "para deixar trabalhar o imprevisível" até que surja aquela "sapiência" que nos torna capazes de ensinar, não o que se sabe, mas o que não se sabe. É como se o saber se constituísse dessa errância, ou capacidade prática de percorrer certos caminhos, que nos levam do estado onde se deseja o saber para o estado onde se sabe desejar. Afinal, o estudante aprende do professor, não o que este quer ensinar, "mas aquilo que quer aprender", afirma Sant'Ana. Embora esta tese pareça um pouco descabida, ela, em verdade, contempla um aspecto importante, não da transmissão dos conhecimentos, propriamente dita, mas da maneira como esses conhecimentos são assimilados e transformados ao longo do tempo, como uma construção sócio histórica.

Sabemos que os avanços no mundo são aferidos por meio da avaliação do incremento das relações estabelecidas, basicamente, segundo as leis do amor. Onde há mais amor, o mundo é melhor. Logo, nenhum processo de mudança que não o promova, ou não seja nele fundado, pode produzir qualquer melhora significativa no mundo. O amor, portanto, é a lei natural que, no curso do tempo, aproxima o ser humano, sempre em transformação, ao seu estado mais bem acabado e completo. As pessoas tornam-se melhores quando desenvolvem esta natureza amorosa, capaz de organizar e estruturar o território onde se fundam as experiências do Ser.

As evidências científicas contemporâneas mostram que o coração é um sofisticado centro de recepção e processamento de informações.  O seu campo eletromagnético, mais intenso que o do cérebro, é responsável pela transmissão ao corpo do estado emocional da pessoa e também pela comunicação sutil que ocorre na interação entre indivíduos, em termos, por exemplo, de sentimentos de simpatia e antipatia.  Todo o sistema nervoso funciona como uma antena sensível à frequência eletromagnética do coração, que produz um campo holográfico de informações, desde o assoalho pélvico até o topo do crânio. Há duas classes de variação da frequência cardíaca: uma é harmoniosa, de ondas amplas e regulares e toma essa forma quando a pessoa tem emoções e pensamentos elevados e generosos. A outra é desordenada, com ondas incoerentes, e aparece com as emoções negativas como o medo, a raiva e a desconfiança. Ao se sincronizam com as variações do ritmo cardíaco, as ondas cerebrais possibilitam que o coração influencie a atividade cerebral.  Desta forma, o amor age como o estado de consciência inteligente do coração, capaz de catalisar os processos de aprendizagem e de participação consciente e corajosa nos distintos processos do mundo.

Nas sociedades modernas, o amor que une as pessoas em células familiares estruturadas em torno do casamento, da maternidade, da paternidade, etc., procura esboçar, ainda que timidamente, um pouco deste amor tratado aqui. Entretanto, o amor pessoal, em forma de paixão doméstica, está contido ainda na classe, não das virtudes superiores do coração, mas das adicções da matéria. O mais puro amor do coração somente começa a desabrochar quando se passa a viver a vida com impessoalidade, com atenção sempre fixa no eterno, contemplando o estado de perfeição original de todos os seres. Daí se deriva o critério universal de austeridade (tapas), ou de impessoalidade, que se define pela capacidade de dar precedência ao mais correto (śreyas) sobre o mais prazeroso e agradável (preyas). Em suma, somente esta categoria de amor superior nos capacita a não ter preferências no mundo e a dar precedência ao verdadeiro e melhor (śreyas) sobre o que se gosta, ou ama, de forma pessoal (preyas).  Daí que ela represente a pedra fundamental onde se erigirá a Universidade do Coração.

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