Fazenda Mãe Natureza

TEATRO PALCO DA VIDA

O Teatro Palco da Vida, sediado na Fazenda Mãe Natureza, representa um experimento de reconstrução e síntese, de acordo com a própria história do teatro brasileiro. Inaugurado em 2009, no mesmo ano do início da sua construção, e com capacidade para 300 pessoas, propõe-se a desenvolver as experiências ocidentais da dialética do concreto, do Teatro do Oprimido, bem como aquelas da dialética do sagrado, descritas no Nāṭyaśāstra, a obra inaugural da teoria teatral da Índia e do mundo.

No Brasil, o teatro é introduzido no século XVI com José de Anchieta, visando a catequização dos povos das nações indígenas e a propagação da fé católica. Em 1833, com o ator João Caetano, forma-se a primeira companhia brasileira de teatro. E em 1970, quando Augusto Boal, inspirado nas ideias de Paulo Freire, dá forma às técnicas do Teatro do Oprimido e publica “Jogos Para Atores e Não Atores”, nasce o teatro de natureza psicossocial e política, que sai de palcos quase clandestinos para ser adotado, com o apoio da Igreja Católica, pelo Movimento dos Sem Terra, pelos Sindicatos, pelas Comunidades Eclesiais de Base e a Pastoral Carcerária. Enquanto dirige o Teatro de Arena de São Paulo, expressão máxima do modernismo de Oswald de Andrade, Boal percebe que o teatro brasileiro era ainda resultado de uma escola que, no palco, exortava o povo a lutar, mas fora dele, não tinha coragem para colocar em prática as verdades que encenava.

O grau de compromisso entre a teoria e a práxis, sugerido no Teatro do Oprimido, encontra as suas raízes no oriente, no ancestral Bharata-Muni-Nāṭya-Śastram, o Tratado (śāstra) do Sábio (muni) Bharata, acerca das Artes Performáticas (nāṭya)”. O texto, mais conhecido como Nāṭyaśāstra (NS), estrutura os seus conceitos em versos e aforismos, de forma sintética (saṃgraha), destacando os sabores essenciais (rasa-s), os sentimentos (bhāva), a “gestualística” (abhinaya), os atores (dharmī), os estilos (vṛtti), a cultura local (pravṛtti), as habilidades (siddhi-s), as notas (svara-s), os instrumentos musicais (ātodya-s), a música (gāna) e o palco (raṇga).” Afirma que a experiência estética (rasa) deve constituir-se como uma arte saborosa cuja finalidade é a superação das baixas inclinações (grāmya). Os “ingredientes” da experiência estética (nāṭya-rasa) são como o alimento agradável ao paladar. Quando impregnada da qualidade de universalidade (sāmānya), ela eclode dos estados emocionais, ou emoções estéticas (bhāva), que procedem do coração, a fonte, por excelência, da experiência estética, de forma prazerosa e educativa. (NS 7.7) A experiência teatral não se destinaria, entretanto, à exaltação do bem em detrimento do mal, senão que ao papel de (re)apresentar a essencialidade das relações indiferenciadas de ambos nos processos do mundo. Daí a sua formulação, segundo o próprio texto, com o fim de encenar e dramatizar os distintos episódios das narrativas épicas (itihāsa) como o Mahābhārata e o Rāmāyaṇa.
O segredo integral de tal arte estaria acessível apenas àqueles sábios (Muni-s) que, conhecendo profundamente a topografia conceitual do sagrado, têm o poder de viver, na prática, de acordo com as suas injunções. (NS 1.19-23) Caberia a estes sábios, portanto, o privilégio de mostrar, por meio das representações teatrais, como atualizar as narrativas tradicionais (itihāsa) – dando exemplo de cumprimento do dever àqueles que não o cumprem, de autocontrole aos indisciplinados, de coragem ao covarde, de sabedoria ao devoto estudioso, e assim com todas as demais virtudes do coração.

As normas teatrais do Nāṭyaśāstra estariam em consonância com os sete mundos (sapta-dvīpa-anukaraṇam) e possibilitariam a representação da ciência do dever, da arte do entretenimento, das fortunas, da paz, da comédia, das lutas e disputas, do amor, dos crimes e de todas as nossas disposições interiores (bhāva-anukīrtana). (NS 1.1-07)

É com a motivação estética da realidade interior e abstrata exposta do Nāṭyaśāstra que o teatro experimental do Teatro Palco da Vida da Grande Síntese utiliza os elementos da realidade exterior e concreta, exposta no Teatro do Oprimido.

Mantras

Agenda

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Aracaju: 2a, 8h as 12h.
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Cura Crianças: 2a, 18h.

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- Sopa.: 4a, 19h

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Prática da Saúde: 3a, 17h30.

Estudo: 5a, 18h00.


Núcleo Aracaju:
Edifício Milagres e
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