Iniciações no Suddha Dharma Mandalam

Sábado, 21 Setembro 2013 |

(As anotações para o texto apresentado a seguir foram tomadas de uma série de dissertações sobre o tema, dadas pelo Pandit K. T. Srinivasachariar, pessoa ilustre e erudita que esteve em contato com os Mestres do Suddha Dharma Mandalam).

INTRODUÇÃO

Todo sistema filosófico que tenha por objetivo guiar a conduta humana, visando ao seu progresso espiritual, deve necessariamente ser constituído por quatro partes essenciais. A ausência de qualquer uma delas tornará todo o sistema dogmático, freqüentemente irracional e fanático, tendente à intolerância, podendo até mesmo levar à violência física, com derramamento de sangue.

Quase todos os sistemas religiosos existentes omitem um ou mais desses quatros componentes e daí degeneram-se até converterem-se em mera fórmula externa, privando, com isso, seus seguidores dos meios para alcançar o conhecimento do valor das Verdades Eternas, uma vez que tais diferentes sistemas são superficiais e modificados em função de vicissitudes de tempo e lugar. Esse processo degenerativo gerou inevitavelmente, por sua vez, múltiplos conflitos humanos trazendo inimizades e sentimentos de separatividade, quanto à linhagem, castas, crenças, nacionalidades e raças.

Cada uma das religiões que há sobre a Terra reconhece a existência de “Algo” que possui todos os atributos divinos do Ser único, imaculado, imortal, de pureza inata, eterno etc. Qualquer que seja o nome que designe esse “Algo”, cada religião tem certeza de que Ele constitui o objeto de realização, única finalidade do aspirante na senda. Sendo assim, o ramo em todas as religiões que trata desse objeto primordial, distribuindo ao estudante alguma idéia de seu Ser e funções, é uma das quatro partes constituintes de cada sistema. Em sânscrito, tal ramo de estudo denomina-se tecnicamente Shastra e trata, em toda sua amplitude, da natureza do ideal de todas as aspirações humanas.

A segunda parte essencial a qualquer sistema religioso denomina-se Upasana,1 que literalmente significa “prática”. Melhor dizendo: é o conjunto de tudo aquilo que conduz à compreensão profunda do Supremo. Inclui, entre outras coisas, a Meditação, o Pranayama e todos os demais atos que conduzem à Realização Suprema do Eterno.

Até aqui vemos que todos os diversos sistemas religiosos têm algo em comum: todos falam do Ser Supremo e estabelecem certos métodos sob condições adequadas, que conduzem à Sua realização. Mas nenhum deles fala das experiências, ou Anubhava (a terceira parte essencial), que todo estudante esforçado há de encontrar em seu caminho ascendente e que, de certo modo, inspiram-lhe confiança para prosseguir na senda reta. Os diversos sistemas também não falam das Iniciações ou Dikshas, que despertam e põem em pleno funcionamento os poderes latentes inerentes ao homem, ajudando-o dessa maneira, em seus tenazes esforços para o progresso espiritual.

Os quatro aspectos expostos anteriormente são encontrados unicamente no sistema Suddha de pensamento. Nenhum outro sistema trata de tudo isso de forma tão ampla e completa. A Suddha Dharma é o Dharma Único e Eterno; todas as demais escolas religiosas são somente resíduos sucessivos dela (da Lei Eterna ou Suddha Dharma), apropriados a cada época e condições específicas, uma vez que os preceitos do Suddha Dharma são Verdades Eternas que constituem a raiz de cada religião sobre a face da Terra.

Existe uma organização denominada Suddha Dharma Mandalam, que é dirigida pelos Grandes Protetores da Humanidade, e que tem por finalidade disseminar os preceitos do Único e Verdadeiro Sanátana Dharma, ou Suddha Dharma. Essa organização tem uma Hierarquia da qual Bhagavan Narayana é o Senhor. Ela existe unicamente para o progresso da humanidade, sendo essa “sua incumbência divina”.

Quando um aspirante almeja realizar o Supremo Brahman, nome com qual se designa o Objeto Primordial no Mandalam, e tenha resolvido seguir a Upasana, tal como o estabeleceu os Hierarcas do Suddha Dharma Mandalam, forma-se um elo indestrutível entre ele e a Hierarquia. Sempre que o discípulo observa estritamente as regras de conduta, que para sua própria orientação foram estabelecidas pelos Mestres do Mandalam, seu progresso permanece assegurado. Os Mestres estão eternamente zelosos e atentos ao progresso espiritual de cada aspirante, por isso sempre estão os ajudando, tornando-os firmes em sua esforçada luta.

Os métodos de disciplina da Organização estabelecem um sistema gradual de Iniciações, por meio das quais, o aspirante recebe grande ajuda e impulso, que o aliviam no trabalho necessário para alcançar a etapa seguinte. Cada Iniciação é realizada sob as ordens e supervisão direta do próprio Bhagavan Narayana.

As disciplinas da Escola Suddha levam a progredir na Senda do Verdadeiro Raja Yoga, cujo segredo está sob o cuidado exclusivo dos Hierarcas do Mandalam. O progresso é gradual e, ao mesmo tempo, dentro da mais absoluta segurança. Cabe aos Hierarcas julgar a elegibilidade do candidato a quem deverão atribuir tais segredos, e Eles, em Sua Divina Sabedoria, dispõem para cada aspirante a forma de Iniciação que julgar adequada para seu progresso individual. Ainda que o progresso só possa ser alcançado pelo esforço individual do discípulo, essa ajuda é indispensável, pois Eles são os únicos Custódios dos Místicos Segredos do Raja Yoga. Por conseguinte, a utilidade das diversas Iniciações depende unicamente de que se estabeleça certa união entre o aspirante e o Hierarca.

Nenhuma das diversas formas de Iniciação dessa Escola terá efeito algum se o Chefe Supremo da Hierarquia não a sancionar e aprovar. Ainda que a Iniciação, para novos membros, seja realizada visivelmente por alguém previamente designado pelos Mestres do Mandalam, como Autoridade Iniciática Externa, a verdadeira Iniciação é realizada por um dos diversos Mestres invisíveis que fazem parte da cerimônia. O ato executado pela Autoridade Iniciática Externa é mais uma questão de formalidade.

Várias são as classes de Iniciações prescritas por essa Escola, e tão poderosos são seus resultados, que os Guardiões desses Segredos Místicos procuram com todo zelo preservá-los. Nas páginas seguintes dar-se-á detalhes do pouco que os Mestres permitiram manifestar ao público. O leitor não deixará de impressionar-se ante a finalidade e imensidade do tema. As forças sutis, embora insignificantes na aparência, quando despertadas, são capazes de exercer poderes grandiosos.

O planeta no qual o homem desenvolve sua existência, não é mais que um pequeno fragmento do sistema solar que, junto com incontáveis outros sistemas solares, formam parte do cosmos. O Parabrahman, ou Supremo Brahman, abarca a infinidade do cosmos, todo ele transbordante de criação, tanto manifestada como imanifestada. É por isso que os adeptos do Suddha Dharma sustentam que Tudo é Brahman e que todas as coisas são uma parte Sua.

De forma geral, a Brahman são atribuídos dois aspectos: o Átmico, correspondente ao Espírito ou Ser e o Anátmico ou Prakrítico, que corresponde à matéria. Existe interação constante entre um e outro aspecto; a Energia que facilita a ação e reação denomina-se Shakti. Portanto, a natureza de Brahman consiste de Atma, Anatma ou Prakriti e Shakti; em outras palavras, Espírito, Matéria e Energia. Tal como ocorre no macrocosmo, ocorre também no microcosmo; deduz-se então que essa Tríade é característica de cada ação individual no universo.

A matéria de que se compõe o universo é formada por 24 (vinte e quatro) elementos, denominados tecnicamente Tatwas, que compreendem: Os Cinco Karmendriyas, ou órgãos motores (pés, mãos, órgãos excretores); os Cinco Gnanendriyas, ou órgãos sensoriais (olhos, ouvidos, nariz, língua e pele); os Cinco Mahabhutas, ou elementos primordiais (terra, água, ar, fogo e éter); os Cinco Tanmatras, ou seja, as medidas que dirigem as qualidades dos Mahabhutas anteriores (forma, som, olfato, sabor e tato); Manas, ou Mente emocional, que é a base para o intelecto superior (Buddhi), ou órgão da intuição; Ahamkara2 sede do núcleo egocêntrico por meio do qual o Ser, que funciona na matéria, assume temporariamente uma individualidade separada, portanto, restrita ao seu ego ou personalidade e Avyakta, que é a matéria indiferenciada e, por conseguinte, a mais sutil.

Quando o Ser ou Espírito resolve tomar forma, encerra-se na matéria ou reveste-se dela e submete-se às limitações que a caracterizam. Surge daí uma existência condicionada ou limitada e, em toda existência condicionada semelhante há três qualidades principais que se sobressaem: Gnana, Iccha e Kriya, ou seja, conhecimento, desejo e ação. A síntese das três, sem as quais não há vida possível, conhece-se por Yoga. Em conseqüência, a vida apresenta quatro etapas perfeitamente definidas por: ação, desejo, conhecimento3 e Yoga. Esta última representa a síntese das outras três.

Os 24 elementos que compõem a matéria com a qual se reveste o Espírito dividem-se em 4 grupos, de acordo com sua capacidade de vibrar em certo ritmo, com as quatro etapas da existência anteriormente citadas. Cada um desses grupos denomina-se tecnicamente Tatwakuta (coleção ou agrupamento dos Tatwas) e cada um possui sua própria característica. Dos quatro grupos, o Avyakta é o mais sutil, e quando nele funciona o Ser Primordial, é capaz de realizar a natureza Yóguica ou Sintética de todo o cosmos, que é, em essência, da natureza do Parabrahman ou Supremo Ser, e uma parte Sua.4

O grupo seguinte, conhecido por Mahat, é de matéria menos sutil que a do grupo Avyakta e adapta-se à aquisição do Conhecimento Infinito (Gnana) pelo Ser Interno. Os outros dois grupos, de acordo com a ordem de sutileza da matéria constitutiva, são os grupos Manas e Indriya; estão constituídos de forma que, quando funciona neles o Ser, este é capaz de ideação (Sankalpa) e de ação (Karma) universais.

Quando o Ser começa a funcionar na matéria, formada pelos 24 Tatwas, reveste-se de 5 vestimentas ou veículos, que se denominam Annamaya Kosha (o corpo físico denso, porém puro), Pranamaya Kosha (corpo emocional), Manomaya Kosha (o corpo mental), Vignanamaya Kosha (corpo cognoscitivo) e Anandamaya Kosha (corpo de glória).

O Ser Primordial, quando se manifesta nesses cinco corpos ou veículos, denomina-se Akshara, Jiva, Atma, Paramatma e Purusha, respectivamente. O estado de consciência do Ser atuante em cada um dos Koshas é inteiramente distinto um do outro; para cada um dos cinco Koshas há um nome diferente que são respectivamente: Jagrat, Svapna, Sushupti, Turiya e Turiyatita.

Quando o Ser Primordial ocupa a vestimenta ou veículo denominado Annamaya Kosha, o mais denso de todos os veículos denomina-se Akshara, o imperecedouro. Nesse caso diz-se que o estado de consciência do homem é Jagrat. A Upasana, ou meditação sobre o Atma praticada nesse estado, conduz à obtenção de corpos formosos e perfeitos, pelos aspirantes. Esse veículo compõe-se de todos os elementos primordiais e dos Tanmatras que os dirigem, e quando estes purificam-se por meio da Yoga, conduzem a reencarnações mais elevadas e a uma evolução superior. Os aspirantes adquirem domínio próprio e prosperidade e, pela Suddha Yoga, alcançam suprema saúde e felicidade. Por outro lado, quando os diversos Tatwas que compõem esse veículo não são purificados pela Suddha Yoga, e continuam sendo Asudha ou impuros, por causa do apego aos diferentes aspectos da vida material, seguem um curso descendente, porque faltam em seus atos Samnyasa (impessoalidade na ação) e Tyaga (renúncia aos frutos da ação).5

O Pranamaya Kosha, ou corpo emocional, é mais sutil que o anterior e o Ser que o habita denomina-se Jiva. Quando uma pessoa atua nesse plano, diz-se que sua consciência está no estado de Svapna. Nesse veículo estão instalados os centros dos cinco órgãos motores (Karmendriyas); é aí que Brahman deve ser adorado como princípio vital manifestado. O aspirante, por meio dos poderes que adquire com a prática do Pranayama,6 é capaz de recordar suas vidas passadas e, pelo progresso crescente, chega a perceber e compreender, em conjunto, o curso progressivo que foi traçado para sua própria evolução.

O terceiro veículo ou corpo, do Ser, denomina-se Manomaya Kosha ou corpo mental. Nele estão instalados os cinco Gnanendriyas, ou órgãos sensoriais posicionados na mente. O estado da consciência do homem que funciona nele denomina-se Sushupti, e o Ser que ocupa esse veículo chama-se Atma, sintonizado unicamente por meio da meditação. Brahman, concebido progressivamente, conforme já mencionado, aparece do tamanho do dedo polegar, radiante como milhões de sóis, em uma auréola dourada. O aspirante será então capaz de conceber Brahman em todas as Suas múltiplas formas e adorá-Lo, com todos os Seus próprios atributos e aqueles que estão associados à forma concebida. Por meio dos poderes assim adquiridos e aperfeiçoados com a prática da Yoga, ele será capaz de saber e compreender tudo o que ocorre em todas as partes e a todo o momento.

O quarto veículo do Ser denomina-se Vignanamaya Kosha, ou corpo cognoscitivo. Os elementos que o constituem são Buddhi e Ahamkara. Nele resplandece o Eterno Brahman como Paramatma ou Ser Supremo, que poderá ser compreendido unicamente por meio do intelecto. Os aspirantes que funcionam nesse veículo elevaram sua consciência ao quarto estado, ou Turiya. Dotados já de Sabedoria Divina e Inteligência Espiritual, conseguem compreender Brahman como dotado de todas as qualidades de onipresença, onisciência e onipotência. Podem compreender a Verdade Eterna, de que Brahman é tudo e tudo é Brahman.

O quinto e último veículo, o mais sutil de todos, denomina-se Anandamaya Kosha, ou veículo de Glória. Compõe-se de matéria mais sutil e indiferenciada. Este é, em essência, felicidade pura e nele resplandece o Eterno Brahman realçado entre tudo. Esse aspecto de Brahman denomina-se Purusha. O estado de consciência do aspirante que funciona nesse veículo denomina-se Turiyatita. Nele Brahman é percebido como a raiz de tudo, porém em si mesmo, é sem raiz, Incognoscível, Impensável, Inefável e Indivisível. O Shruti consegue ensinar isso somente com a expressão: “Isto não, isto não”. O estado de consciência, nesse caso, denomina-se também Suddha Samadhi.

Pelo exercício constante e sustentado da Sadhana, apagam-se gradualmente todos os pensamentos e emoções próprios de nossa natureza inferior. A mente põe-se cada vez mais firme, e durante a meditação freqüentemente aquieta-se de tudo; nesse instante a luz do Ser resplandece em todo seu esplendor natural.

Quando o aspirante consegue elevar sua consciência a esse nível, a Luz do Purusha é contactada, porém unicamente apenas refletida, devido ao fato do corpo físico não suportar a Realização direta do Purusha. Se houver essa Realização e o aspirante não levar uma vida de absoluto celibato e pureza, seu corpo astral desprender-se-á. Ocorre freqüentemente que, quando o corpo astral se desprende, o corpo físico, não podendo resistir à tensão, cai imediatamente convertido em cinzas (desintegra-se).

A palavra Diksha, traduzida como Iniciação, provém da raiz dis que significa mostrar, no sentido de conferir ou dar. Em realidade, essa palavra raiz é usada para denotar tudo aquilo que significa alguma ação por meio da qual se desperta certo grau de consciência, que se faz perceptível a um ou outro, dos vários sentidos do homem. Upadesa, Adesa, Sandesa, Diksha são algumas das muitas palavras derivadas dessa raiz.

Embora o termo Upadesa, em seu sentido técnico, signifique a instrução religiosa atribuída a um ser, para seu progresso espiritual, ela é em essência, completamente distinta do vocábulo Diksha, se bem que Diksha, em sua aplicação geral, serve para o mesmo fim. É bem certo que, se em Upadesa certos fatos e experiências externos, que até então haviam permanecido imperceptíveis aos sentidos físicos, chegam ao conhecimento dos mesmos, em Diksha é transferida certa quantidade de Teyas, ou partículas de matéria sutil, e como conseqüência desenvolvem-se as faculdades latentes inerentes à pessoa. Essas faculdades, que até então haviam permanecido adormecidas, despertam e entram em plena atividade; e a pessoa que recebeu a Diksha pode gozar da suprema ventura de uma realização que só é possível ser compreendida plenamente por experiência pessoal, pois as palavras são incapazes de descrevê-la.

Segundo os princípios do Suddha Dharma Mandalam, as Dikshas são 7 (sete) e denominam-se, respectivamente: Parthiva Diksha, Vanu Diksha, Shukra Diksha, Agni Diksha, Chandra Diksha, Aditya Diksha e Yoga Devi Diksha. Essas diferentes Iniciações facultam ao homem atualizar, em proporção crescente, a Divindade ou Ser que há nele.

Toda criação, manifestada ou imanifestada, foi dividida convenientemente em grupos; cada grupo denomina-se tecnicamente, Rekha ou Raio. Existem sete Rekhas ou grupos, o Vasudeva Rekha corresponde ao gênero humano.

Entre as diversas categorias de Dikshas (Iniciações), a denominada Shukra Diksha é a que corresponde ao Vasudeva Rekha. Portanto as páginas que seguem ocupar-se-ão da Shukra Diksha. As demais têm divisões similares e subdivisões idênticas. Um mesmo plano aplica-se a todas. Os nomes das diferentes subdivisões são idênticos, e o método adotado para as diversas Iniciações é igual. O resultado que se alcança também é igual, embora a maior ou menor intensidade, em cada pessoa, dependa do grau de receptividade e da composição da matéria que constitui cada Raio.

SHUKRA DIKSHA

Dos setes grandes tipos de Iniciações essa é a mais adequada ao homem. Divide-se em três ramos principais, denominados respectivamente: Siddha Diksha, Kumara Diksha e Narayana Diksha.

Propomo-nos a dar alguns detalhes unicamente da Siddha Diksha, pois a Kumara Diksha corresponde aos discípulos avançados e o último ramo, chamado Narayana Diksha, está destinado exclusivamente aos que já alcançaram o estado de Brahman, ou seja, a segunda divisão dos aspirantes da Escola Suddha.

1. SIDDHA DIKSHA

É o primeiro dos três ramos em que se subdivide a Shukra Diksha. Quando uma pessoa é admitida como membro do Suddha Dharma Mandalam recebe, entre todas as Iniciações do grupo Shukra, esta forma de Diksha.

No momento de receber a Iniciação, é-lhe transferido um pequeno fragmento das partículas mais sutis da Prakriti ou matéria que compõe o corpo do Siddha Iniciador. Essa transferência genuína de matéria é o que constitui a Diksha. Além disso forja-se um vínculo indissolúvel entre o discípulo e o Mandalam, representado pela pessoa do Mestre que participa da Iniciação. Uma vez que são Siddhas os seres que tomam parte nas Iniciações dessa série, e que são deles a Prakriti ou fragmento da partícula transferida, esse grupo de Iniciações denomina-se: Siddha Diksha.

O grupo de Siddha Diksha divide-se em dois subgrupos: Adhikara Diksha e Atma Diksha

1.1 ADHIKARA DIKSHA

O primeiro dos subgrupos de Siddha Diksha define-se da seguinte forma:

“Agarbhe Garbha sampattih Adhikarah”

“Adhikara consiste na fecundação daquilo que é possível de ser fecundado e que, ao mesmo tempo, está apto para tal.”

Pela afirmação anterior deduz-se que a Adhikara Diksha pode ser conferida àqueles que estão desejosos de serem iniciados e que, ao mesmo tempo, merecem tal Iniciação. Para tanto, os requisitos necessários são: um sincero desejo de conhecer Adhyatma Vidya ou Ciência Sintética do Absoluto, acompanhado do genuíno interesse por investigar o verdadeiro conhecimento. Quando o discípulo satisfizer ao seu iniciador com sinceridade, será iniciado, conforme sua capacidade receptiva, em uma das diversas formas de Adhikara Diksha. O efeito dessa Iniciação tende a despertar a consciência do aspirante, mas a ação da Diksha limita-se unicamente ao Annamaya Kosha e ao Pranamaya Kosha. Como resultado é despertada a consciência do Aksharatma e do Jivatma, respectivamente.
Já foi dito anteriormente que, durante a Iniciação, há uma transferência de Prakriti. Esse fragmento prakrítico é descrito como uma chispa do Teyas; quando essa transmissão é processada no aspirante, entra em contato com um dos Koshas. No caso do Adhikara Diksha, o Teyas é acrescentado ao Annamaya Kosha ou ao Pranamaya Kosha. Quando a Iniciação ocorre no Annamaya Kosha do discípulo, ele tem mentalmente, no momento de sua Iniciação, visões fugazes de árvores sagradas, rios, montanhas e outros lugares sagrados; de templos gopuram, se ele for hindu, de altas torres e minaretes, se ele for cristão ou maometano. Por outro lado, se a Iniciação ocorrer no Pranamaya Kosha, o discípulo não tem visões, mas experimenta, em certos casos, uma ligeira inconsciência, um desvanecimento, cansaço nervoso, ou algum efeito semelhante em seu organismo.

O grupo de Siddha Diksha com seus dois subgrupos, Adhikara e Atma Diksha compreende cinco Iniciações preliminares: Dharmaketu, Bhadraketu, Vasishta, Vamadeva e Svetaketu. As duas primeiras correspondem ao subgrupo de Adhikara Diksha. As diversas experiências ocorridas à pessoa que recebeu a Akshara Diksha estão resumidas no seguinte Sutra: “Aslithilam Brahma Mandalam”.

Nesse Sutra a letra “A” representa Prakriti ou matéria; “S”, o Sol e a Lua sem brilho; “Li” as estrelas fulgurosas; “Thi” os grandes oceanos e lagos; “Lam” as lâmpadas acesas nos santuários. O significado completo do texto anterior corresponde a quando uma pessoa é iniciada e medita sobre o Brahma Mandala, simbolizado por um lótus branco de inumeráveis pétalas, e passam por sua visão mental diversas cenas como as citadas anteriormente.

Uma vez que o iniciado tenha tido todas estas experiências diz-se que ele alcançou o Akshara Sayujya, ou seja, que com seu conhecimento é capaz de retirar-se do corpo físico ou Annamaya Kosha, e passar ao corpo interior mais sutil, ou seja, ao Pranamaya Kosha. Quando ele já é capaz de realizar isto, esquece-se de tudo o que ocorre exteriormente, pois todos os seus sentidos retraem-se e dirigem-se para seu interior. Olhando, nada vê, escutando, nada ouve, falta-lhe o sentido do tato. Nesse estado nem um alfinete o fere.

Esse estado de consciência que é alcançado pelo Akshara Sayujya é diferente do que é obtido pela prática do Hatha Yoga.  O mesmo resultado pode também ser alcançado quando uma pessoa está sob os efeitos de clorofórmio ou de algum outro anestésico. Todavia as experiências anteriormente narradas, e que estão resumidas no texto, somente podem ser obtidas por aqueles que alcançaram o Akshara Sayujya, após serem iniciados na forma Akshara, do Adhikara Diksha. Por outro lado, quando o Teyas põe-se em contato com o Pranamaya Kosha, a forma de Iniciação é denominada Jiva.

A pessoa que alcançou o Akshara Sayujya, após haver passado pelos diversos estados da forma de Iniciação anterior, ou que, no momento da primeira Iniciação, o Teyas colocou-se em contato diretamente com o Pranamaya Kosha, experiencia o seguinte:

1. Ouve sons que são sentidos como provenientes de seu interior, similares ao tilintar de um sino, ao som de um gongo ou de uma grande concha, ao ruído de trovões, ou até mesmo melodias de algum instrumento musical. Quando o discípulo ouve esses sons, pode praticar o Svarodaya ou arte da clariaudiência e está apto a praticar o Matrika Yoga.

2. À medida que avança em suas meditações vê um corpo de muito brilho, que não assume forma definida, que lhe aparece como uma massa incandescente.

3. Finalmente, alcança um estado em que, só com o cerrar dos olhos, pode conceber, sem o menor esforço, a imagem do lótus que leva dentro de si. O lótus surge perfeitamente natural e em todo seu esplendor, com aromas e outras qualidades. Esse estado denomina-se Svabhana Aravinda Samathitih, ou seja, “estado em que o lótus aparece com toda naturalidade”. Quando o discípulo alcança-o, já chegou à plena perfeição que poderia ser alcançada sob o Adhikara Diksha e encontra-se apto a receber as formas ainda mais elevadas de Dikshas.

1.2 ATMA DIKSHA

Já dissemos que o grupo das Siddha Dikshas, com suas subdivisões de Adhikara Diksha e Atma Diksha compreende cinco Iniciações preliminares, que são: Dharmaketu, Bhadraketu, Vasishta, Vamadeva e Svetaketu. As duas primeiras correspondem à subdivisão das Adhikara Dikshas e as três últimas são formas de Iniciações preliminares da subdivisão da Atma Diksha.

Atma Diksha compreende várias formas de Iniciações que, segundo a ordem, denominam-se: Ekakshara Diksha, Vishesha Diksha, Ananda Yoga e Matrika Yoga. Por sua vez, essas diversas Dikshas compõem-se de muitas Dikshas menores, e são várias as formas de experiência correspondentes às diversas Iniciações.

A frase “Atma Diksha cha Kamalam” faz alusão ao número das Dikshas menores e aos importantes grupos de experiências correspondentes a elas. A palavra Kamalam, conforme o sistema de anotação denominado Katapayadi Sankya, representa o número 153, e significa que, apesar do número de Atma Dikshas ser 153, as diversas experiências, com as Iniciações consecutivas a essa, são 351.

1.2.1 Ekakshara Diksha – Das 153 Atma Dikshas mencionadas, esse grupo compõe-se de 51 classes.7 A palavra Ekakshara representa um som composto ou simples que corresponde ao Atma individual. Do mesmo modo que um homem é conhecido por um nome que o individualiza e ao qual só ele responde quando chamado, cada Atma individual tem seu próprio apelativo, que se compõe de um ou mais sons simples. Geralmente, esse apelativo consiste de três sons simples, unidos intimamente, que representam, respectivamente, as qualidades Prakríticas, Átmicas e Suddhas do indivíduo. Em alguns casos, o Ekakshara de certos indivíduos pode consistir de apenas dois, e às vezes, de um só som. Isso significa que o indivíduo em questão chegou ao máximo de progresso naquela parte da existência que corresponde ao som, ou sons que faltam. O uso constante do Ekakshara, feito em conformidade com o que se comunica ao discípulo em sua Iniciação eleva sua consciência Átmica e promove o progresso integral, ou seja, no sentido espiritual e no material. Quando se comunica o Ekakshara ao discípulo, e ele a pratica devidamente por algum tempo, são também concedidas, uma por uma, as outras 50 Dikshas que são o complemento da Ekakshara Diksha.

1.2.2 Vishesha Diksha - Esse grupo também contém 51 Dikshas menores, sendo seis as principais:

A) Sanku Grahanam - É o recebimento de um sanku ou centro de poder, devidamente consagrado, entregue ao discípulo pelos Mestres, a fim de ajudá-lo em seus esforços espirituais. Geralmente, esse Sanku é de ouro e traz inscritas Bijaksharas, que após uma Iniciação real, magnetizam fortemente o Sanku. Às vezes ele é de prata e em certos casos, de cobre. Quando é conferido semelhante Sanku consagrado a um indivíduo, tal ato vai acompanhado de uma Iniciação. O Sanku age como fonte de energias e, em virtude de ter sido santificado unicamente para esse objetivo, é capaz de criar as condições condizentes ao progresso da Anushtana ou disciplina. Ele age como um verdadeiro centro receptor e difusor da Graça Divina e da influência dos Mestres, que sempre estão com o coração pronto para promover o bem-estar de todos os seres.

B) Acharyadatha Swikarat – Recepção de certos objetos conferidos pelos Mestres ao aspirante, a fim de ajudá-lo em seus esforços. Esses objetos são:

Kashaya ou veste de cor alaranjada - Quando essa veste, usada pelos Mestres durante a observância de suas disciplinas, é outorgada a um indivíduo, ele terá de usá-la sobre seu corpo na forma que lhe for indicada. Estando ela carregada do magnetismo pessoal dos Mestres, o seu uso conduz o discípulo a alto grau e assegura-lhe o progresso em suas meditações.

Yoga Sutra - Consiste em uma tela kashaya, cujos extremos estão atados formando um colar que deve ser usado como tal. Freqüentemente o Yoga Sutra leva mais de um nó que serão de várias classes. Cada nó tem um significado definido que assinala uma etapa na senda do aspirante. Somente dar-se-á a saber ao discípulo o que verdadeiramente significam esses nós, quando, na avaliação dos Mestres, ele encontrar-se suficientemente adiantado para receber tal comunicação.

Kamandalu - É um vaso de prata, com alça, bico e tampa (chaleira). Os Mestres fazem gravar sobre este, certos Bijaksharas e em seguida consagram-no devidamente, a fim de que sirva de receptáculo para a água que será usada durante a execução da disciplina diária. As letras sobre o Kamandalu variam conforme a pessoa, dependendo do progresso individual de cada um. À medida que o indivíduo progride, acrescentam-se novas letras e acontece uma nova consagração.

Pavitra - É um anel, geralmente de ouro, que deve ser usado no dedo anular da mão direita. De preferência, usar-se-á todas as horas do dia, caso não seja possível, deve ser usado quando o discípulo estiver executando certas partes de sua disciplina diária. Esse anel é consagrado pelos Mestres para tal objetivo, e por Eles usado durante certo tempo.

Yogadanda – É uma vareta, preferivelmente de madeira de sândalo,  de dois pés e meio de comprimento, e duas polegadas e meia de diâmetro,  contendo em seu interior um cilindro de ouro. Possui em sua extremidade superior uma pequena placa de ouro, onde são gravadas Bijaksharas. Os extremos são selados com prata e uma pequena faixa de ouro circunda a Danda, perto da extremidade superior. Toda ela está altamente magnetizada e deverá ser conservada no lugar de meditação, pois cria uma atmosfera que favorece a firmeza mental, durante a meditação.

Yajna Sutra - Colar feito de contas de seda, de diferentes cores. Igualmente aos outros cinco objetos já mencionados, é outorgado para que a pessoa, e tudo a sua volta, magnetizem-se devidamente, para que, até seus menores esforços, alcancem o máximo de benefícios. Ao usá-lo para os fins a que foi outorgado, o aspirante notará que progride firmemente.

Ao ser conferido ao aspirante qualquer um dos seis objetos descritos, o ato é acompanhado de uma Iniciação.

C) Yashti Grahanam - É a terceira das seis importantes Vishesha Dikshas. Se uma pessoa não recebeu tal Iniciação, não está autorizada a executar nenhum dos Yashti, ou oferendas de Yagnas. Até que tal Iniciação tenha acontecido, o discípulo terá o privilégio de assistir a qualquer Yashti que seja executado por outras pessoas, autorizadas para isso, mas não poderá tomar parte ativa no ato, nem pode executá-lo, por conta própria.

D) Ahitagni - Consiste na realização de um Yagna durante um ano, sem deixar de executá-lo um só dia. O fogo consagrado que se acende no primeiro dia, com esse objetivo, deve ser mantido durante todo o período, em um lugar dedicado especialmente a esse fim, e diariamente o discípulo deverá também fazer certas oferendas, que lhe serão dadas a conhecer no momento de sua Iniciação.

E) Ahara Niyama - Consiste em regular e exercitar certas restrições na alimentação. O discípulo que executa essa disciplina estabelece para si mesmo, certa forma de alimentação que deverá ser adotada durante todo um mês; para o mês seguinte disporá de cardápio completamente diferente, cuidando para que não se repita nem um só dos pratos do mês anterior. Essas séries podem alternar-se. Quanto à classe de alimentos do cardápio que pode ser utilizado e em qual quantidade, além de outros detalhes relacionados ao fato de observar essa disciplina, são comunicados ao discípulo no momento da Iniciação. O discípulo exercita-se nessa forma de alimentação durante um ano.

F) Acharya Nilaya Darsanam - Consiste em visitar os diversos lugares e sítios, que foram consagrados pelos Mestres do Suddha Dharma Mandalam, onde os Mestres estabeleceram Sankus, Chakras e demais objetos de importância semelhante. Tais locais são altamente magnetizados, e todos eles são centros de Shakti. Existem muitos desses lugares, e o discípulo deve visitá-los, um por um, na ordem que lhe for indicado. Pode suceder que os Mestres comuniquem-lhe a lista completa de tais lugares, a fim de que os visite a todos em uma só viagem, ou que lhe informe de sua existência, revelando-lhe um só de cada vez. Nesse caso o discípulo terá que sair em nova viagem sempre que o Mestre lhe pedir que o faça.

1.2.3 Ananda Yoga - É o terceiro grupo das Atmas Dikshas. Esse grupo, da mesma forma que os outros, dos quais já falamos, consiste em 51 Dikshas menores. Como o discípulo há de receber essa série de Iniciações, são conferidas a ele 7 delas no primeiro dia, e uma a cada dia subseqüente, de maneira que a última é recebida no quadragésimo quinto dia, quando se completa as 51 Dikshas desse grupo. Ao ser submetido a essa experiência, o discípulo recebe ordem para observar certas restrições em matéria de alimentação. É absolutamente necessário que se abstenha totalmente do uso do sal, pimenta e tamarindos. De igual maneira, deve abster-se de alimentos tamásicos. As frutas frescas e secas e qualquer refeição preparada com grãos e cereais, com leite, açúcar e “ghee” (manteiga clarificada) poderão ser usadas livremente, pois essa classe de alimentos é de natureza sátwica. Ao completar-se esta série de Iniciações o aspirante fica em condições de passar ao quarto grupo das Atmas Dikshas, denominado Matrika Yoga.

1.2.4 Matrika Yoga - Essa forma de Yoga, que representa o quarto grupo de Atma Dikshas, consiste em uma série de Iniciações. Semelhantes às do grupo anterior, ela é conferida geralmente àqueles que são celibatários desde seu nascimento, ou que tenham privado-se completamente de toda relação sexual durante o período da Iniciação, mesmo quando forem casados. Exceções são feitas aos casos em que os Mestres asseguram absolutamente que a pessoa que as vai receber está apta e que iniciá-la dessa maneira não lhe acarretará nenhuma conseqüência prejudicial.

Experiências da Atma Diksha

As muitas experiências vividas durante a meditação, resultantes das diversas formas de Iniciações dessa Diksha, podem ser resumidas na seguinte frase: “Viyatiyam Teyomayam Brahma-lingam Cha Darsanam”.

Tal verso significa a aparição de uma Brahma Lingam e de outros corpos radiantes, todos com aspecto de algo superior a toda criação humana. Para melhor compreender tais palavras, é preciso saber o seguinte:

a) Brahma Lingam: Essa forma apresenta-se como um corpo cilíndrico largo, com ponta em ambas as extremidades. Esse corpo fica situado entre a ponta do nariz (justamente sobre as fossas nasais) e a parte alta da frente, mas apresenta uma solução de continuidade na região entre as sobrancelhas.

b) Teyomayam Darsanam: É a aparição dos seguintes corpos refulgentes: Agni ou fogo, Surya ou sol, Chandra ou lua, e as Nakshatras ou estrelas. Esses corpos aparecem em lugares determinados e precisos. Assim, Surya é visto na região do coração; Chandra, na região do peito que fica imediatamente abaixo da garganta; as Nakshatras apresentam-se como chispas cintilantes ao lado direito da cabeça; enquanto que o resplendor avermelhado de Agni aparece ao lado esquerdo da cabeça. Tais aparições normalmente situam-se como foi descrito. Em certos casos, contudo, os diversos corpos aparecem, uns no lugar dos outros; trata-se apenas de modificações, e uma das mais importantes delas é conhecida com Hirannya Sringa, em que o sol aparece ao lado direito da cabeça, a lua, ao lado esquerdo, as estrelas fazem-se visíveis na região da garganta e o fulgor do fogo aparece no coração. É preciso levar em consideração, que os corpos luminosos em realidade aparecem desde que se recebe a Akshara Diksha (do subgrupo de Adhikara Diksha). As experiências vividas nesse momento são inteiramente diferentes, pois antes os corpos careciam de fulgor enquanto que, agora, todos eles possuem a refulgência máxima correspondente a cada um.

C) Viyatiyam Darsanam: Refere-se à aparição, na visão mental, durante a meditação, de objetos, seres e pessoas, cuja simples presença convence, ao que as vê, de que são seres sobre-humanos. Não só parecem seres sobre-humanos, mas também são dotados de um Teyas ou brilho próprio, correspondente a um dos quatro, já detalhados no Teyomayam Darsanam.

O efeito imediato da forma de Iniciação Atma Diksha é promover mais ímpeto, maior força e energia às demais Dikshas, como: Adhikara, por exemplo. O resultado mais elevado que alguém pode alcançar com a Atma Diksha é a Swechcha Sanchara, ou seja, a faculdade de viajar à vontade pelos dois Koshas (Annamaya Kosha e Pranamaya Kosha).

Quando uma pessoa alcança esse estado, tendo recebido todas as Iniciações ou Dikshas classificadas no ramo de Siddha Diksha, encontra-se apta a receber formas mais elevadas de Iniciações, correspondentes ao segundo ramo da Shukra Diksha, denominada Kumara Diksha.

2. KUMARA DIKSHA

Essa Inciação é assim denominada porque o grupo que a outorga é formado pelos 4 Grandes Kumaras, denominados, respectivamente, Sanaka, Sanandana, Sanátana e Sanat Suyata. Há um grupo de Kumaras para cada um dos diversos Rekhas, ou raios, e, portanto, existem 7 grupos de Kumaras. Cada grupo ocupa-se dos Kumaras Dikshas de seu respectivo Rekha. O esquema geral de Iniciação desse ramo de Dikshas é igual para cada Rekha e nós nos propomos a tratar aqui dos Kumaras Dikshas da Shukra Diksha, que é a ordem de Iniciações ordenadas para o Vasudeva Rekha, que é, como já dissemos, o que corresponde ao gênero humano.

2.1 NADA DIKSHA

O Atma está situado em um corpo composto de partículas Akásicas. Essas partículas, ainda que sejam de matéria infinitamente mais fina e sutil, em comparação à matéria física mais densa, são, em si mesmas, também densas, se comparadas às partículas do corpo em que está situado o Paramatma. Por isso é comum denominar os corpos Akáshicos do Atma como Asuddha Akasha, ou compará-los com o Suddha Akasha do corpo Paramátmico. Contudo, é preciso ter definitivamente em conta que só é Asuddha, quando comparado aos corpos superiores, e Suddha, quando comparado aos corpos mais densos. O atributo, ou Guna, característica do Akasha é “Nada”, ou “som”.  Caso se deseje aproximar do Atma, situado em semelhante matéria, conseguir-se-á por meio da guna que é capaz de por em vibração seu corpo. O texto que indica a natureza da experiência e o número de Iniciações menores da Nada Diksha é: “Akase Khachara Agnyadityachandramasah”, que, segundo o sistema Katapayathi de calcular, em voga na escola Suddha, representa 262; por conseguinte, são também 262 as Dikshas e as experiências.

O discípulo que passa por essa Iniciação costuma ver, repetidas vezes em suas experiências durante a meditação, grandes nuvens que vão continuamente distanciando-se de sua visão, permitindo-lhe assim ver mais e mais claramente a brilhante luz de Agni, a lua e o sol que essas nuvens envolvem em grandes massas. O objetivo da Nada Diksha é dispersar as névoas de Tamas que prevalecem nas partículas Akásicas Asuddhas e que impedem, por isso mesmo, a realização da Luz que está mais além.

2.2 VIDYA DIKSHA OU MANTRA DIKSHA

É a segunda ordem de Dikshas do grupo Kumara, denominada também como Mantra Diksha. Por ela os mantras energizam-se. Quando um discípulo recebe essa Iniciação, é despertado nele o poder de correlacionar o som ao seu significado. Por meio dela, é possível a ele transmitir o verdadeiro efeito ao significado de suas palavras. Os mantras e Aksharas por ele emitidos avivam-se de tal modo, que só em pronunciá-los o discípulo consegue, como resultado, acionar o efeito do significado das palavras do mantra.

Quando ele alcança tal despertar, torna-se apto à prática do Swarodaya, da telepatia e da clariaudiência. Quando as palavras são pronunciadas ficam registradas, gravadas nas partículas Akásicas e lhe é atribuído um lugar no Chandabhanu Loka, ou seja, a região do Senhor Chandabhanu, onde permanece registrado cada som que se produz no universo. O discípulo obtém, com essa Iniciação, poderes especiais que lhe permitem valer-se desses registros, ou gravações Akasicas.

2.3 VIDYADHIDEVATA DIKSHA

É a última das Kumaras Dikshas. Quando um discípulo é iniciado nessa ordem, consegue então o Sakshatkara (ou a Realização) da Divindade invocada. Por isso ela é também denominada Bhagavad Rupa Diksha, ou seja, a Diksha pela qual a Rupa (forma) do Bhagavan (Divindade) faz-se perceptível. Aqui ele se apresenta em seu sentido limitado, ou seja, a Deidade que preside o mantra invocado.

Por meio das diversas formas das Kumaras Dikshas o discípulo torna-se apto a chegar ao estado de consciência Átmica. A matéria em que está situado o Atma obscurece a sua realização; e por meio das diferentes Dikshas, as partículas Akásicas do corpo ou vestimenta Átmica clarificam-se. Quando se realiza a Iniciação, conforme a forma final do Vidyadi Devata Diksha, em virtude da qual se estabeleceu um elo entre a Divindade que preside o mantra e o Atma individual de quem fez a invocação, a Prakriti (a matéria) em que está situado o Atma, reajusta-se por si mesmo, de modo a converter-se ao tipo de Suddha Akasha, e isso contribui para a realização do Atma.

3. NARAYANA DIKSHA

É a forma mais elevada de Iniciação na Shukra Diksha. Em realidade, é a forma mais elevada de Diksha dentro de cada Rekha (raio). O Grande Iniciador é o Divino Guru, Bhagavan Sri Narayana. Essa Iniciação é de tal importância que é o próprio Guru quem a comunica diretamente ao aspirante. É uma Vamadeva Rahasya. Essa Diksha é tão exclusiva, e mantida em tão profundo segredo, que a nenhum dos iniciados é permitido comunicar a outrem, em que consistem suas diversas formas e experiências.

CONCLUSÃO

A regra sempre seguida é: antes que se possa outorgar a um discípulo a Iniciação seguinte, ele deve ter alcançado completo domínio sobre a forma de Iniciação recebida anteriormente. Tal regra é observada estritamente, e muitas vezes costuma-se encontrar discípulos que não foram iniciados nas formas superiores de Dikshas, embora tenham transcorrido muitos anos desde sua Iniciação preliminar.

O estudo dos detalhes, que abordamos sobre as diversas formas de Iniciação e sua prática, demonstrará que é preciso haver alcançado uma etapa de definitivo progresso, antes que o indivíduo possa receber a Iniciação da etapa seguinte. Mas é necessário advertir que, em anos recentes, os Mestres encarregados das diversas Iniciações e práticas, têm sido extremamente benévolos quanto a conceder as formas superiores de Iniciação. Como resultado disso, atualmente, existem casos em que, dentro de poucas semanas, após haver recebido a Iniciação preliminar, o discípulo pode, se assim o deseja e os Mestres o considerem apto, ser iniciado na forma superior de Raja Yoga. Isto não implica necessariamente que o discípulo seja eximido da responsabilidade de praticar as diversas disciplinas. Além do mais, seu progresso seguirá estritamente o curso delineado.

Ao outorgar ao discípulo a forma superior de Iniciação, os Mestres almejam fazer com que seu progresso seja rápido, de modo que, se ele aproveita ao máximo, tal concessão, pode alcançar o estado de Raja Yogue dentro de curto tempo. Esse desvio da regra, estabelecida desde muito tempo no Mandalam, fez-se necessário tendo em vista o Advento de Bhagavan Sri Mitra Deva, o Senhor Encarnado, que vem para o progresso espiritual e material da humanidade.8

Os Mestres, em Sua suprema misericórdia, têm poupado ao discípulo o trabalho, que corresponderia a um grande número de anos, com o único objetivo, ao adotar semelhante atitude, de propiciar a cada verdadeiro discípulo a capacidade de apreciar a vinda do Senhor entre os homens e de trabalhar por Sua Causa, ainda que, para preparar-se devidamente, o discípulo tenha que fazer um esforço imenso.

Om Tat Sat

Sri R. Krishnaswamy Row
B.A., B.L.

Notas

  1. Upasana consiste na perfeita observância das regras, por parte de cada aspirante. É a prática espiritual prescrita a cada um dos buscadores.
  2. Ahamkara é o vigésimo quarto elemento da composição estrutural da Prakriti, ou matéria primordial e corresponde à nossa individualidade; ele é essencial para que possamos funcionar na matéria. É através do Ahamkara que o ser assume, por momentos, um estado de separação, de especificação, de individualização. O Ahamkara significa “consciência de si mesmo” ou individualidade. O egoísmo é um núcleo separatista que se aloja no Ahamkara. O Akamkara é o elemento através do qual o Ser assume a individualidade. É o Espírito individual, ou Jiva, que encarna e reencarna ao longo de sua evolução. A simples tradução de Ahamkara por “egoísmo” é equivocada. Ahamkara, em princípio, não é bom nem mau; ele é simplesmente a “consciência de si mesmo”, a auto-identidade, apesar de manifestar-se na mente emocional através do egoísmo ilusório e separatista.
  3. Conhecimento aplicado consiste em sabedoria.
  4. Para facilitar o estudo sobre o tema apresentado, colocamos, ao final do livro, quadro sinóptico sobre os Tatwas.
  5. Informações coletadas em Ensaio de Sri Janárdanam: “Samnyasa e Tyaga representam a essência de atos integrais que nos conduzem à evolução e são os dois instrumentos usados pelo discípulo em seu processo de purificação. As duas influências que o ato de purificação e sutilização promove àqueles que estão na senda, e que os levam a lograr o êxito almejado em seus empenhos, são conceituados como Samnyasa e Tyaga. Podemos compreender perfeitamente que essas influências possam ser agradáveis se libertarmo-nos das idéias, noções, significados e práticas grotescas que tem crescido em torno desses termos de forma fanática e se compreendermos sua importância à luz dos ensinamentos do Bhagavad Gita”. Samnyasa é a execução completa de cada ato, de maneira totalmente impessoal, e para o bem do mundo. Tyaga é o desapego (ou desinteresse egoísta) pelo fruto resultado ou conseqüência da ação, com uma absoluta e irrestrita entrega de si mesmo a Deus.
  6. Informações coletadas em Ensaio de Sri Janárdanam: Pranayama, de acordo com o conceito usado no Suddha Dharma Mandalam, é o nome técnico dado a uma prática inteiramente subjetiva que conduz a consciência para Deus; ela é subjetiva, porque o ato de conduzir a consciência para Deus é puramente mental. A consciência tem sua base predominantemente em Manas que é a mente emocional. Devido à própria natureza, Manas está habitualmente orientada para o exterior, para o objetivo, através dos sentidos, que são as portas por onde chegam as impressões causadas pelos objetos. Se quisermos desviar o curso do objetivo de Manas para Deus, o Pranayama constitui o primeiro passo e precede a meditação (Dhyana), que consiste no ato de pensar repetida e continuamente em Deus. O ato de elevar o inferior ao superior é Prana; o contrário é Apana. Em outras palavras, é o ato pelo qual igualamos a Unidade com a multiplicidade e vice-versa. No Gita, o Senhor explica esse processo com as seguintes palavras: “Quando o aspirante alcança a percepção da multiplicidade (no tríplice samsara) como concentrada na Unidade (o Unitário) e ao mesmo tempo, emanando desta, então compreendeu Brahm”. A esse processo de harmonização mental denomina-se Pranayama. São três as fases essenciais que constituem um Pranayama completo; e, no caso do Pranayama proposto pelo Mandalam, trata-se de atos mentais, acompanhados ou não de controle da respiração. São os seguintes: 1) Redução das multiplicidades, incorporando-as à Essência Divina Imanente e Única; 2) Retenção da idéia de plenitude na qual o Uno e o múltiplo estão sempre como auxiliares necessários; 3) Eliminação de todos os impedimentos que não deixam conservar o conhecimento dessa realidade singular. Essas três fases da prática são denominadas, respectivamente Puraka, Kumbhaka e Rechaka. Há certas condições externas que são de absoluta necessidade durante a prática como: a solidão (afastamento de aglomerações de pessoas); evitar a alimentação excessiva; ser austero, tranqüilo e, em cada oportunidade, invocar freqüentemente, em Manas, as virtudes Brâmicas. Quanto à prática em si, consiste em sobrepor-se à sensação de cansaço (Jitasramaha); ser capaz de permanecer sentado em uma postura firme por um determinado tempo (Samasinaha); elevar a consciência à coroa da cabeça (Murdhyatma Nanadaya), pensando fixamente na natureza do Atma (Atmanan Chintayet); permanecer trocando Prana em Apana, e vice-versa.
  7. As 51 Dikshas compõem-se das 42 letras do alfabeto do idioma sânscrito, das oito letras do Ashtakshara Mantra “Om Namo Narayanaya” e ainda do Ekakshara individual.
  8. Nota dos editores: Esse ensaio foi escrito no início do século passado. Atualmente (séc. XXI), o Senhor Mitra Deva já atua no planeta Terra, em corpo sutilizado. Maiores informações no livro Sri Bhagavan Mitra Deva, o Avatar Proclamador da Civilização da Síntese, lançado pela Editora Ecos da Síntese.
Visto 23047 vezes Última modificação em 25 Setembro 2013

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