Yagna, Dana e Tapas - A Voz do Mestre

Sábado, 21 Setembro 2013 |

Oh aprendiz da ciência do coração! Abre o olho de tua alma, sutiliza tua sensibilidade e inclina teu ouvido para receberes, de boa vontade, os conselhos de um amigo, para que tu, que viveste submetido, há muitas eras, ao jejum das coisas divinas, volte, pela obediência dos preceitos da Lei Eterna - SUDDHA DHARMA - a ver a luminosa face de Deus.

Acorda irmão, deste sono terrível, pois já é hora de nos levantarmos para o labor do Ofício Divino.

A montanha que temos a subir é alta e íngreme, mas prometi tornar-te destro na arte de escalar as alturas e isto faremos com suavidade e prudência, para que vás, aos poucos, acostumando todo teu ser ao frescor das grandes elevações.

Se ainda não aspiras a viver preso a esses ensinamentos libertadores, volta tua existência ao mundo, e na bigorna do tempo forjarás sem dúvida o alicerce sólido para suportar edificação tão preciosa.

Todavia, se já pulsa teu coração por esta prisão sagrada à Vontade do Supremo Senhor, eis que esta é tua casa, e não só tua casa, mas teu Santuário. Aqui tua alma cansada encontrará repouso e alimento que te refarão as forças para empreenderes a “elevada ação”.

Aquele que te fala é imperfeito como tu, contudo observa cuidadosamente que o único anseio dele é a tua vitória sobre as potências do mundo das imperfeições. Existe uma alegria e felicidade que ele anseia: o teu encontro gozoso com DEUS no imo do teu próprio Coração.

Filho da Vida, escuta estas palavras que te falarei - talvez, quem sabe, sejam  para o teu maior proveito. Escuta-as, empreende a batalha e com ardor luta. DEUS, o Supremo Purusha, te fará viver a bem aventurada Glória da Vitória Final.

Todo o amparo está no Pai. Todo o refúgio está na Mãe.

OM NAMO PURUSHAYA NAMAHA

NAMASTÊ... NAMASTÊ... NAMASTÊ...

“Do Yagna”
Dos Sacrifícios Oferecidos

Caríssimo do Coração, é do teu pleno conhecimento a indigência em que nos encontramos, conjuntamente com nossos irmãos da Terra. São imensuráveis nossas debilidades que impedem a escalada rumo aos Himalayas do espírito. Toxinas letais circulam livremente nas veias da nossa existência descontrolada. Pensamentos asúricos ainda continuam a ser acalentados pelas nossas mentes ignorantes. Emoções densas ainda persistem em sacudir nossas ações, nem sempre necessárias e úteis. Após este vendaval de desarmonias, os ventos mansos já começam a ser carecidos por nossas almas aflitas. Ecoam nos ares súplicas de todos os cantos deste planeta. Nós, amado meu, como voluntários do amor, precisamos iniciar a “Grande Ação Reparadora” para o restabelecimento do plano de Deus sobre a Terra. Nós e todos os nossos irmãos precisamos do fogo ardente de luz e amor, da força e do poder que é gerado pelo Yagna ou sacrifício oferecido à Divindade.

A etimologia desta divina palavra define sua santa significação - Sacrifício: sacro ofício ou sagrado trabalho.

Quando falamos de sacrifício os homens sempre associam a sofrimentos. Para eles, estas palavras são mesmo sinônimas. Realmente, ao executar tal ação, o nosso eu inferior, sentindo aproximar-se a Chama da Transmutação, rejeita e sofre; mas nem por isso devemos nos iludir, pois o que padece é o que precisa ser mudado.

No entanto, há uma parte que vibra de alegria e felicidade - o nosso Espírito - exultando ao sentir que uma ação justa, necessária e útil está sendo realizada.

Os homens não vêem este duplo processo ser desencadeado dentro de nós. A sua limitada visão enxerga apenas ao primeiro e julgam o segundo como desvario mental. Bem-aventurados os que compreendem este sofrimento e o amam; eles alcançarão as gloriosas alturas dos infinitos Céus.

Desventurados são todos aqueles que desistem da ação necessária do Yagna só porque ela se constitui em algo doloroso para suas almas. Sai irmão, desta cegueira terrível, se este é teu estado. Vence aos frutos das ações e entrega-os tão somente a Deus, o Único destino ao qual devem ser dirigidos.

Sei que estas palavras servirão para te conduzir à realização do verdadeiro Yagna, todavia, observa que o Yagna só se classifica como “satwico” (puro, útil e necessário) quando aquele que o faz não deseja fruto algum como recompensa, mas o realiza por julgar sua execução como “justamente necessária”. Aparta-te dentre aqueles que agem possuídos de desejo pessoal de resultados compensadores, bem como de malígna ostentação.

Se te fosse concedida a oportunidade de desejar algo deste ato divino, que seja somente a “Brahma Prapti” ou a realização de Deus, cada vez mais estreita e íntima.

Executa pois, oh lutador, com ardor e devoção, e terás a felicidade de ver refletir em ti e em teus irmãos a gloriosa Luz Espiritual que estava anuviada na cela do Coração.

Toma em tuas mãos a Sagrada Chave do Yagna e com maestria abre o portal que conduz ao templo da realização espiritual.

Que o Grande Hierarca Pusham, Mestre de perfeita Sabedoria, te fortaleça para que o êxito seja alcançado diante do teu Sátwico Sacrifício (Sacro-ofício).

Ele será sempre teu Amigo.

Invoque-O.

OM NAMO NARAYANAYA

OM SHANTI, OM SHANTI, OM SHANTI

NAMASTÊ!

 

“Dana”

Da Caridade

Aprende, oh aspirante do caminho da Luz, o real conceito da caridade. Bem sabes quantos desmandos se cometem a serviço de Deus e de sua Eterna Lei. Eleva-te acima do Bem e do Mal e mergulha nas desconhecidas dimensões do PRINCÍPIO DE VIDA. Assim, não só lavarás tuas podridões, mas deixarás retidos em teus poros os maravilhosos perfumes de todas as qualidades divinas. Existirá maior caridade que higienizar as almas irradiando as efulgências santas dos perfumes espirituais? Admoesto-te que não desejes alinhar-te entre os que só acreditam e valorizam no que as mãos possam fazer. Que brutal é este engano; que mentira alimenta esta ilusão. Puras e poderosas são as mãos de Deus. Favoreça para que o Cristo Interno acorde do letárgico sono que tu O impuseste pelas densas nuvens de tua ignorância. Deixa que ELE mesmo distribua, como um Sol, os seus raios luminosos a toda criação. Dizia o grande Ramana que: “o maior bem que podes fazer à humanidade é a tua própria auto-realização espiritual”, em plena comunhão com o divino, servindo em rendição total ao seu supremo mandado.

Que esta doutrina maravilhosa que estou a te transmitir não te leve às raias do fanatismo. Aliás, se isto vier a acontecer, logo saberás que estás longe da autêntica Unidade com Deus, pois a verdadeira auto-realização espiritual não tem parentesco com o egoísmo grosseiro e mundano. Aquele que alcançou o estado de Comunhão com o Altíssimo, no altar do coração, é forçado internamente a materializar, nos planos visíveis, as doçuras que experimentou nas dimensões sutis, trabalhando por todos os seres incansavelmente: orando, pensando retamente, harmonizando, saciando a fome e a sede em que os humanos se encontram.

Asseguro o caráter divino destes ensinamentos, pois o ser cuja caridade brotou como uma pérola do seu coração, não passa pelo risco da soberba, da vaidade ou do orgulho, o seu serviço é de Deus, é em Deus e para Deus. Isto é contrário à mundana caridade, na qual o homem serve ao homem, trazendo à alma gozos e satisfações, apegos e desejos de compensações, contrariando o ensinamento sagrado que diz:

“É satwica a ação que necessariamente deve ser executada, sem desejar seus frutos, desapegadamente, sem afeto nem aversão”. Quem assim serve, serve a Deus e servindo a Deus não sofre as dores das ingratidões, as quais para ele já não existem, pois toda a sua ação foi humildemente consagrada ao Pai. Ele nada espera do homem; não se regozija nas aprovações nem padece quando desaprovado.

A dificuldade em alcançar esta suprema realização nos faz muitas vezes desistir da verdade e seguir os tortuosos caminhos da caridade do mundo, onde sempre se espera a devolução em forma de reconhecimento e gratidão.

Atenta bem, oh filho do puríssimo discernimento. Repudia o marasmo e assenta teus pés para empreenderes a caminhada difícil para Deus.

Se durante tua passagem por esta terra de dores encontrares o homem: sujo, sedento, faminto, desesperado ou iludido.

Lembra-te! Estás diante de um ser que esqueceu que é Deus, e teu dever como um Dasa (servidor) do Senhor, será: limpá-lo, saciar-lhe a sede e a fome, acalmá-lo e dizer-lhe de coração:

IRMÃO TU ÉS DEUS!  RECORDA-TE.

Que Brihaspati, Mestre da Misericórdia, te ensine e forme neste ensinamento.

“OM MAM SRI BHAGAVAN MITRA DEVAYA NAMAHA”

NAMASTÊ!

OM OM OM

 

“Tapas”

Da Austeridade

Amado Irmão, bem sei de tuas angústias e da dor que teu coração padece quando as labaredas da paixão tocam a tua alma. Como um desejo ardente do imo do meu ser vou falar sobre a Austeridade, que espero seja para ti poderosas asas a fim de que possas alçar o vôo libertador, na busca das paragens eternas da Pureza e da Claridade.

Teu corpo, sacudido de tantos desejos obscuros e tantas paixões diabólicas, precisa ser pacificado e harmonizado, para que ele, que sem dúvida carrega o “Sanctum Sanctorum”, possa ser recipiente límpido e cristalino, a Luz do Sol Cósmico possa alvorecer no horizonte de tua existência ainda em plena noite.

Como primeiro e seguro conselho, para assepsia de teus corpos, reverencia com devoção aos Grandes Iniciados, ao Guru e aos Grandes Acharyas da Hierarquia Divina, para que este banho Sagrado neste Oceano de Luz lave todo o teu ser das pútridas desordens corporais e, ao mesmo tempo, deixe entranhado em teus poros o perfume inebriante da pureza de teus corpos luminosos.

Irmão, dentre as formas que deves utilizar para exercitar teu corpo esta é a principal; todavia, não te esqueças que a limpeza, a retitude, a continência e a humildade preservam e mantém todo o tesouro de sementes férteis que foram plantadas ocultamente em teus momentos de anelos com os amoráveis Irmãos da Luz.

Agora queria dizer-te que a tua palavra precisa ser também cuidada para que ela se torne, aos poucos, a palavra de DEUS. Para isto, sede totalmente inofensivo para com tudo e com todos, nunca pronunciando algo que ofenda à Eterna Lei, oculto no fundo dos corações. Que tua palavra seja a expressão da verdade; nunca te deixes laçar pela mentira, por mais oportuna que te pareça. Doce e benéfico deve ser teu verbo para que os que te rodeiam, aos poucos, vão aprendendo a conjugar em todos os tempos a verdade Santa e Imutável que é Deus. É também essencial, para a purificação de tua palavra, que aprofundes teus estudos sobre a “Ciência Adhyátmica”. Este será para ti o abecedário maravilhoso, fonte eterna de todos os sons, que te ensinará a soletrar os vibrantes vocábulos que os Mestres inscreveram nos portais do templo do som cósmico, que é teu coração, repositório da palavra perdida pela tua ignorância e que tu acharás um dia, depois que te tornares digno de pronunciá-la. Como o Cristo falou, tu também dirás: tudo passará menos as minhas palavras - pois um dia, o próprio Verbo Divino falará pela tua boca. Por mais que te pareça estranho isto que ora te falo, não consideres assim, antes busca e suplica aos Mestres que façam de tua palavra uma Santa Palavra.

A austeridade é algo que te proponho, de coração, para que possas purificar a tua mente. Este corcel bravio e voluntarioso precisa receber as esporas da disciplina. Nada mais educador que manteres sempre a serenidade de pensamento: “Quando as ondas estiverem agitadas, derrama sobre elas o óleo do amor, e tu manterás a calma. O contentamento constitui-se também numa condição importante para a estabilização dos movimentos mentais. Mantém- te alegre e feliz, mesmo ante as mais terríveis vicissitudes. Não te deixes levar pelas marés das tristezas, incertezas e medos - assim, como veleiro impetuoso, singrarás as assustadoras correntezas que te querem tragar. Estejas sempre atento às ondas mentais de pensamentos desordenados. Isto também levará tua mente às planícies da calma da mansietude.

Vê bem, Irmão meu, que tudo isto de nada valerá se em tuas ações e pensamentos não tiveres pureza de intenção. Afugenta os espúrios inimigos do calculismo pernicioso, e, assim tu, como um herói, receberás a coroa da vitória gloriosa, na transcendência deste inimigo atroz. Estas instruções em nada te servirão se não as preservares do mundo dos elogios mundanos. Realiza-as livre de pretenderes ostentação, reconhecimento, respeito e estimação. Isto não é para ti, Irmão, mas para aqueles que ainda estão apegados aos frutos de suas ações. Sê um verdadeiro e autêntico YUKTA para que mereças de Deus a Bem-Aventurança.

Que te posso sugerir mais? Estas pérolas as encontrei no fundo da Gita e trouxe-as para ofertá-las a ti. Preserva-as, como puderes, de todos os jeitos. Elas são as marcas que se farão refulgir através de teus olhos, de tuas palavras, de teus pensamentos e de todos os teus gestos.

Assim, tu, dotado destas jóias sagradas distinguir-te-á entre os homens como um “sanyasi-yogue”, ou melhor, como um “sanyasi-suddha”. Isto, lembra-te bem, para que Deus seja glorificado.

Quem vigia o corpo educa-o.

Quem vigia a mente ilumina-a.

Mente iluminada em corpo educado não cai na tentação.

Assim aprendi do Mestre, agora ensino a ti.

Para tudo isso se requer força.

A Mãe te dará.

Invoca-A sempre.

No centro de tua testa brilha a Luz da “MÃE IMACULADA”.

OM...HRIM...SHRIM...KLIM...AIM...SAUH...

OM SRI YOGA DEVIAY NAMAHA...!

NAMASTÊ!

Francisco Barreto Neto
Surya Yogue Dasa

Gnana Dhatha
Instrutor do Suddha Sabha Atma

 

A Voz do Mestre

No seio do silêncio há um som, e no meio desse som há uma voz que fala.

E, porque seus ensinamentos se dirigem a todos aqueles que buscam, suas palavras foram reunidas neste pequeno livro.

Não penses que, se entenderes essas palavras, hajas interpretado a sua verdadeira significação. Somente o homem interior pode compreendê-las verdadeiramente.

Filho meu, Eu Sou teu Mestre.

Eu venho para suavizar teus sofrimentos.

Eu venho para transformar em ouro os segmentos de chumbo de tuas vidas passadas.

Filho meu, Eu Sou teu Mestre.

Ofereço-te a minha Paz, a minha Paz te deixo.

Que minha Paz seja contigo... para sempre...

 

- I -
Filho meu, presta ouvidos à Voz Interior. Falo, muitas vezes, sem que me escutem meus discípulos.

Tudo que quiseres fazer, faze-o com nobreza e fé, com absoluta confiança e plena certeza da presença de teu Mestre.

Eis as normas que te dou:

Mostra-te todos os dias, qual espelho límpido e brilhante, em que teus irmãos possam perceber tua imagem tal como a vejo Eu. Eleva-te qual Lâmpada de chama clara e esplendente, a fim de que tua Luz possa guiar os passos dos que se poderiam transviar no caminho.

Ergue-te como guardião de meu Amor, a fim de que ele possa, através de ti, expandir-se em bênçãos sobre teus irmãos.

Não temas as palavras de outrem, não sigas o sussurro da voz humana; segue minha direção, escuta minha voz e contigo eu estarei ao longo de tua jornada.

Filho meu, discípulo meu, nada temas... Percorre teu caminho, animado de fé inquebrantável.

Farei brilhar diante de ti uma Luz para te guiar a fim de que, escolhendo o lugar de teus passos, possas seguir fielmente as minhas pegadas! Que o Amor seja o teu farol e te indique a boa direção! Que o Amor te assinale o raio de Luz em cujo seio deves progredir.

Eu estou sempre à espera. Meus passos te abrem o caminho para que menos pungentes te sejam os espinhos.

Eu estou sempre à tua direita. Ó discípulo que me és tão querido, abre teus olhos e reconhece-me quando me inclino para te tocar a fronte!

 

- II -

Filho meu! Eu falo àqueles cujos ouvidos estão afinados com a voz do Mestre, porque eles seguem os caminhos do Conhecimento e do Serviço...

Um discípulo não pode dignamente cumprir as instruções do Mestre, sem que esteja animado do desejo de aprender e de servir.

Retira-te para o “Deserto”; não obtenhas as coisas deste mundo, além do necessário, para que não te embaraces.

Não te deixes conduzir apenas por livros, mas lê em toda parte a mensagem minha, tal como se encontra inscrita em meu universo, desde as estrelas até as mais pequeninas formas de vida.

Vê em toda parte, as manifestações físicas de uma Unidade Central Interior; as partículas (fundidas) de minha imensidade. Lê nelas o ensinamento particular que te é destinado. Que o teu coração te dê a explicação, sem que, para isso, tentes empregar a chave da sabedoria humana.

A Sabedoria, a Divina Sabedoria, será assim atestada por teus filhos.

As normas que te dou são provindas do coração (do Atma), do silêncio da alma, e não de meros conselhos escritos nas páginas dos livros.

Quando houveres reunido as sementes (pois não te dou senão a semente da tua transformação espiritual) e houveres colhido os grãos, retorna ao mundo e cumpre ali o teu serviço, até que o terreno, onde tenha germinado a semente, floresça e produza para mim seus frutos.

Mas, se fizeres teu serviço exterior sem que tenhas partido o Pão da Vida para o distribuir, dissiparás a tua força e tornarás vã tua alegria de servir.

Dentro de ti estão todos os tesouros do teu ser e, no entanto, do lado de fora, vês estendidas as mãos vazias dos que choram para obterem o consolo que lhes poderias dar se volvesses para mim o teu rosto.

Minha bênção é para aqueles cuja força destina-se aos fracos; cuja alegria é para os seres que tem coração dolorido, cujo Amor é o tesouro dos que não são amados, - os corações solitários.

Minha bênção é para esses servidores; põe-te em guarda, toma teu lugar no meio deles.

O caminho que escolhestes é escarpado, mas são potentes os meus braços para te sustentar. As pedras são, ali, cortantes, mas Eu porei um bálsamo em tuas feridas. Minha bênção é para os que seguem este caminho; toma teu lugar no meio deles.

Filho meu, escuta minhas palavras. Eu me aproximo de ti pelas sendas obscuras do silêncio e pelos caminhos ocultos do sofrimento. Eu reclamo de ti um ouvido que ouça e um espírito aberto; muitas vezes estive lá, à espera, mas não ouviste minha voz... Teu coração estava ocupado em outras coisas , filho meu...

É na profundidade íntima do ser que Eu faço ouvir o meu chamado; só o ouvido interior pode percebê-lo. Oxalá possa estar, filho meu, entre os que escutarem minhas palavras.

 

- III -

Queres ouvir a minha voz? Fecha as portas exteriores, cerra as janelas de tua alma e Eu falarei.

Lembra-te bem de minhas palavras, pois Eu falo para ti e para todos os meus filhos que desejam encontrar o caminho que todo o candidato deve seguir.

Procuras esse caminho?

Agora, que todas as tuas portas estão fechadas, e cerradas todas as tuas janelas, busca os tesouros de teu santuário. Lê o que está escrito dentro de ti e, antes de poderes assegurar que procuras verdadeiramente esses tesouros, certifica-te de que é este realmente o primeiro de teus desejos. Pois, se abrigares um só desejo mais intenso, esse atrativo te conduzirá, através de caminhos mais fáceis, para uma alegria exterior, iluminada pelo reflexo da Luz, da qual, em verdade, não passarás de um revérbero.

Seja teu verdadeiro objetivo seguir a senda, e tenhas somente um desejo único (o de alcançar o Atma), a fim de poderes transcender todos os outros.

 

A Ausência de Desejo...

A ausência de desejo se verifica, apenas, naquele que sabe o que o desejo é, e, sabendo-o, transcenda-o. Só possui a ausência de desejo quem o haja experimentado e tenha feito dele sua conquista.

Os frutos da ignorância devem ser transcendidos antes que a Árvore da Sabedoria possa alimentar-te e fortificar-te.

A ausência de desejo...

Filho meu, lembra-te!

Realiza a experiência do desejo e não fujas de seus laços; examina como atua a Grande Lei que dá a cada um de teus desejos o fruto correspondente. O desejo das coisas da Terra e dos bens terrenos te aprisiona e limita. E, a esse respeito, põe-te em guarda, ó ser imortal, revestido da roupagem de um só dia...

Não te ligues às pequenas coisas, a fim de que aumente teu poder para conquista das grandes realizações.

Não penses que se fugires do mundo hás de encontrar o meu caminho; meu caminho está no mundo, onde andam todos os homens. Só aqueles que têm os pés desnudos, só aqueles cujo peito se oferece às feridas do sofrimento podem palmilhar o Caminho Interior.

Aquele que anda solidamente calçado não descobrirá o meu caminho; o que se mantém todo envolto no seu manto não sentirá o sopro do meu espírito. O espírito sopra em toda parte e se detém naquele que é pobre e, não obstante, rico; desnudo, mas vestido de Luz. Tais são os que seguem meu caminho, os filhos de meu peito.

Se desejas verdadeiramente seguir a minha senda, obedece em tudo às instruções que te dou:

Não pretendas ensinar aos outros antes de haveres, tu mesmo, recebido as sagradas lições, para que a teu irmão não ofereças fórmulas vãs.

Mas, se no âmago da instrução que te for dada descobrires, por ti mesmo, pérolas de Luz, reconhece nisso, que já terás muito que dar e não receies em ensinar por ti mesmo.

Só o coração pode compreender; dirige-te, pois, a ele, passando por sobre a inteligência; só o coração pode obter o conhecimento; é nele que mora a Sabedoria.

Não pretendas dar, a menos que tuas mãos estejam cheias. Caminha silenciosamente, até que teu Mestre te enriqueça. Mais vale não dar coisa alguma que oferecer aos outros o fruto vazio de tua alma.

Não pretendas cantar, se não for a tua voz a de um cantor, pois, se áspero e inarmônico o teu canto, os ouvidos de alguns de teus irmãos podem cerrar-se mais tarde, à sinfonia perfeita.

Não pretendas curar com as tuas mãos, a não ser que o possas realmente fazer; teme, antes, ferir de morte algum de teus irmãos.

Não pretendas dirigir quem quer que seja, para que não se apóiem em ti; ao invés, caminha tão humildemente que por ti aprendam os outros a se conduzir. Se teu irmão de ti precisar, não receies levantar teu bastão de peregrino para lhe indicar a rota que deves seguir. Lembra-te de que o Instrutor e o discípulo são apenas Um, e que Um são o que guia e o que é guiado.

Quando, com a mesma alegria guiares e fores guiado, ensinares e fores instruído, cantares ou te conservares mudo, então a lição que tem por título “Ausência de Desejo” terá sido aprendida, e terás dado um pequeno passo ao longo de tua rota.

 

- IV -

Filho meu, conserva-te atento e guarda minhas palavras, se quiseres realizar tua próxima etapa; mas não creias que terás aprendido minhas lições, enquanto não houveres enfrentado com êxito as quatro provas que te reserva cada um de meus ensinamentos.

Não há nenhum dos mandamentos que te dou que não deva ser praticado na esfera terrena, na esfera do sentimento, na do pensamento e na espiritual. Guarda bem em teu entendimento que deves realizar meus preceitos com perfeição em cada uma dessas quatro ordens.

Se pensas que venceste o desejo na ordem terrena, desconfia...  pois o perigo se oculta muito perto de ti, nesse pensamento mesmo. Só é conquistador aquele que se mantém vigilante.

O desejo pode subsistir sob múltiplas formas. Morre, mas desperta novamente sob um aspecto tal que não o reconheces. Entretanto, se tiveres saído vitorioso do desejo terreno e continuares a conquista de minha senda com o coração cheio de alegria, o desejo poderá permanecer, mesmo assim, junto de ti como hóspede insuspeitado, revestido das mais belas e cambiantes formas, qual céu pleno de nuvens.

O desejo terreno, que terá deixado de existir para ti, de tal modo que não mais o vigies, poderá permanecer mais intenso por ter sido vencida sua expressão exterior.

Assim, quando houveres chegado a conquistar a ausência de desejo sob todas as formas terrestres, conserva-te atento, ó conquistador, abre esses olhos que aprenderam a velar, pois terás ainda que vencer o desejo das emoções.

Assim, quando tiveres vencido teu desejo de alegria, quando puderes afrontar com o coração sereno o que é penoso e o que é agradável, não suponhas que  tua guarda tenha terminado, ó sentinela... Sabe que dependes ainda da mais séria prova, pois, assumindo novo aspecto, o desejo reaparece sob as roupagens do pensamento. Sutil é a sua forma... enganosa e cambiante... Cada vez que lhe é dado um golpe vitorioso, o desejo muda de aspecto sob a forma mental, procurando escapar à ponta de tua espada.

São inúmeros os candidatos que puderam avançar até esse ponto, mas, ai deles! Têm saído vencidos!

Busca esse inimigo e transcende-o!

E, quando o hajas suprimido, não creias que tua tarefa esteja plenamente concluída.

Diante de ti ergue-se agora a mais terrível das quatro provas.

Cria ânimo, ó Peregrino do meu caminho! Os passos do Grande Vencedor sulcaram a estrada que percorres; cria ânimo e não fraquejes, pois Eu te digo: em verdade não caminhas só.

O desejo espiritual - Quando houveres subjugado o desejo terreno, o desejo na ordem do sentimento e na do pensamento, ainda te restará dominar o desejo espiritual.

Sentes-te feliz quando ouves minha voz? Encontras nas minhas palavras conforto e alegria? Nada mais desejes. Avança com o coração radiante, escuta-me, ou envolva-te o silêncio.

Não fiques triste quando me mantenho silencioso, nem te alegres quando ouvires minha voz, porque, sabes bem, Eu Sou o silêncio, e Eu Sou o som. Tem certeza de que Eu não te abandono jamais, embora me conservando oculto, pois os caminhos que os meus filhos seguem são como os fios que tenho nas mãos.

Busca, pois, a ausência do desejo espiritual, e seguirás o meu caminho com segurança; desfrutarás uma Paz Perfeita, mesmo quando se cale minha voz e penses caminhar sozinho. Saberás, então, que a ausência de desejo conduz, passo a passo, a uma plenitude e a um vácuo interior. Saberás, então, que a ausência de desejo e meu desejo são uma só e a mesma coisa.

Eis as quatro vitórias que deves alcançar. Lembra-te de minhas palavras; elas são pouco numerosas.

 

- V -

No seio de todas as coisas há um movimento que não cessa jamais; no fundo, bem no fundo, todavia, se estende um Oceano de Paz, de Paz Eterna!

Dessa Paz vem todo Ser e desse Movimento, toda a Vida. E a consumação de todo Ser e de toda Vida é a realização do Universo.

Não obstante, onde se encontra a Paz está, igualmente, o Movimento, e em todo Movimento permanece a Calma da Paz.

É do Único que vem o Múltiplo e, o Múltiplo é Uno. De “o que não é” vem tudo o que é, e tudo regressa ao “Nada”.

Universo após Universo será dissolvido e reduzido a pó... Centros de uma hora de poder; dias efêmeros de uma só vida.

Universo após Universo será reconstruído, pois numerosos são os meus dias e a vida não é pesada na balança dos homens.

Sonda as profundidades do ser; a chave se encontra em teu próprio coração.

Não procures escapar às lições da experiência; fugir da tentação não é vencê-la.

Não te separes do ser impuro e do malvado; fugir ao contágio outra coisa não significaria senão aproximá-lo. E, se em tua rota não puderes avançar intacto e puro, sabe que a tentação e a própria queda proporcionar-te-ão os mais proveitosos frutos, desde que ponhas um sulco entre ti e a experiência que te houver feito cair.

Eu te afirmo somente isto: Minha força nasce em ti a partir do teu sofrimento. Minha voz nasce em ti do movimento e da tormenta.

 

- VI -

Não é dos seres que vivem para si mesmos que minhas palavras se dirigem. Eu falo para aqueles meus filhos que volveram o rosto para a Luz.

No seio da montanha encontrarás teu Senhor; mas, profundo é o vale que ela domina, e em teu caminho não podes atingir senão o local que teu próprio passo vai franquear.

Avança e encontrarás o lugar preparado para o passo seguinte, apesar de te envolverem as trevas. Mas asseguro, no entanto, que um braço potente te sustenta.

Cria ânimo, filho meu.

 

- VII -

Para que possas vencer em teu caminho, é preciso que tenhas vencido, precisamente, o sentimento de separatividade.

Não me amas em espírito?

Quando tua personalidade inferior está em calma, reconhece em ti a Unidade.

Filho meu, Eu Sou Uno.

A vida, impossível de dividir, está para ti como está para mim, e, embora te pareça que me procuras, sempre estiveste comigo e foste sempre uma parte viva de minha Vida, uma chispa do Espírito e, pois, da mesma natureza deste.

Não há separação entre Mestre e discípulo; o alento é um só e, enquanto  busques, já me hás encontrado. Sim, antes mesmo que a obscura necessidade de ouvir a minha voz haja vibrado em ti. Filho meu, é a ti que se dirigi minha voz. Entender-me-ás? Não compreendes? És meu filho; quero que ti dês a mim;Eu te falarei com mais veemência ainda, se quiseres fazer-me o dono completo de ti mesmo.

Dá-me teu corpo, a fim de que ele possa chegar a ser, uma vez unido a mim, o templo do servidor.

Consagra-me tuas ações até mesmo as mais humildes, pois não é senão dando-te que poderás palmilhar o Caminho.

Se desejas tomar dos demais, não segues a minha rota: estás no número dos seres que se enriquecem com bens alheios; neste caso, não procuras minha senda ser-te-á excessivamente escarpada. Vai-te pelas campinas verdejantes, semeadas de flores, e colhe a doçura efêmera que ali existe sempre, pois, se não puderes dar, será esse o meio de progredires. Somente quando cada flor passageira se macule sobre a pressão apaixonada de teus desejos (porque não leva em si a vida da eterna floração mas, apenas, de uma floração ilusória), só então brilhará para ti a estrada da sabedoria que iluminará a entrada da Minha Senda. Feliz será o dia em que, deixando cair de tuas mãos as florações terrestres hás de procurar a flor magnífica do jardim eterno...

Consagra-te humilde e alegremente ao meu serviço; não há ação, por modesta que seja, que não te ligue a mim; pois, obedecendo assim à Lei, teu próprio corpo chega a ser inseparável do meu.

Exijo que ponhas de lado todo pensamento pessoal.

Que o sofrimento não te penetre e, no entanto, que todas as dores te dêem sofrimentos. Que a tristeza não te comova e, que todas as dores te toquem.

Concentrado no mais profundo de ti mesmo irradia para o exterior...

O Eu tem força destruidora, mas é também criador.

Tua consagração é completa pelo dom do Espírito. Só assim é que me pertences completamente para sempre e que a porta estreita te é aberta, pois assim, terás aceitado levantar uma parte do fardo que pesa sobre minha terra.

Tua consagração leva consigo um sofrimento; esse sofrimento também se chama alegria.

 

- VIII -

Não penses que só pelo fato de reconheceres tua Unidade Comigo terás aprendido a dominar o sentimento da separatividade; para possuíres a maestria necessária, tens necessidade de minhas lições.

Uno com o TODO, com o TODO perfeitamente Uno... Busca-me no silêncio, a fim de que possas ler com certeza minhas lições.

Assim como EU SOU TUDO EM TUDO, a UNIDADE, a VIDA no múltiplo, do mesmo modo a vida não é tua Vida; ela é a VIDA COLETIVA, a Vida de todos. Teus irmãos te pertencem, tão certamente como Eu. Meus filhos são UNOS, pois eles participam de MINHA VIDA. Inseparáveis de mim mesmo, eles são inseparáveis de ti. O Único, com o Múltiplo; o TODO, como o Único. (Bhávana)

É assim que o que toca ao menor dos meus filhos toca igualmente a ti e toca também a mim. Se buscas o caminho, todos eles participarão da alegria tua, de o haveres encontrado; pois, se levantas o fardo do teu irmão, alivias também teus ombros.

Falo para todos aqueles que podem ouvir, e não apenas para ti; todos aqueles que buscam são meus filhos.

Alguns ouvem minha voz, mas não me escutam; para outros, Eu estou silencioso, mas percebem o som perfeito. Alguns não me vêem e, não obstante, Sou a visão deles. Outros me contemplam e ficam cegos.

Todos, porém, estão comigo.

Todos os cálices se enchem de meu cálice espiritual; o vinho que está no teu é semelhante ao que enche os de teus irmãos. Só é diferente a forma exterior do cálice. Vela para que o teu se encha até a borda.

Busca no fundo de ti mesmo e hás de encontrar. E, quando tiveres encontrado, não mais terás necessidade de mim; ficarei contigo e nada te faltará.

O Mestre vem como um vento impetuoso até aquele que tem a plenitude e de nada precisa.

Penetra sempre no mais íntimo de ti mesmo, filho meu, no mais profundo de ti mesmo.

Minha voz reside no coração; desconfia das vozes que ferem teus ouvidos.

Fica tranqüilo, silencioso, com o corpo descansado, os sentidos pacificados, o mental bem controlado e, assim, abandona-te e te reconhecerás desperto, alerta.

Busca, então, e encontrarás.

 

- IX -

Nada há oculto que não possa ser revelado. Mas aqueles que não ouvem senão com os ouvidos externos nada entenderão.

A voz fala ao homem interior, na profundidade dele mesmo; mas aqueles que ignoram o que é o homem interior estão surdos ao som Único.

Eu ordeno que trabalhes; mas se o quiseres fazer apenas em teu benefício, não trabalhes.

Eu venho àqueles que estão atentos ao ruído dos meus passos.

Busca o silêncio, retira-te para o fórum interior, filho meu. Meu caminho é um caminho solitário; segue meus passos.

Sê tão humilde que o menor seja maior do que tu, pois Eu vivo no coração dos humildes.

Todo trabalho é meu trabalho; ninguém é grande, ninguém é pequeno. A ação nada é só vale o motivo.

Não menospreze a alma simples, aprende com ela a causa da expansão de coração que ela possui, Eu ando freqüentemente perto dos que são desprezados pelos homens e me entretenho suavemente com os simples de coração.

Sê do número destes e hás de ouvir a minha voz.

 

- X -

Filho meu, se queres trabalhar para Mim, não trabalhes para ti; somente aqueles que tiverem despojado do eu são os filhos da minha morada. Se estiveres atento as palavras humanas, minha voz é para ti silenciosa; inúteis serão minhas lições.

Se os elogios te são preciosos e crês marchar com segurança, põe-te em guarda para não caíres...

Se o menosprezo te fere enquanto combates, põe-te em guarda... Busca... Existe em ti um germe envenenado. Mas, se passas tranqüilo, feliz, insensível aos louvores ou ao menosprezo, tem por certo que marchas comigo...

Feliz daquele que é indiferente aos elogios ou à censura de seus irmãos; o Mestre vela por seu trabalho.

Aquele que transcendeu o ego trabalha unicamente para o Eu; aquele que participa do TODO não faz senão dar ao ÚNICO.

O servidor do Eu está despojado do ego.

Chega a ser semelhante a Ele.

 

- XI -

Adquire o conhecimento espiritual e não te prendas as coisas da terra, considera-as infinitamente preciosas.

Aprende a perscrutar o coração dos homens; não te detenhas em suas palavras; compreende bem a significação interior que te é bom conhecer.

Não fujas do mundo exterior; utiliza-o em proveito de tua investigação interior, pois a semente da sabedoria reside no verdadeiro conhecimento. Escolhe o que tem mais valor e abandona o que vale menos, para que não te embaraces com algum fardo inútil.

Nada conduzas, deixa carregar tuas espáduas com todos os fardos, pois Eu caminho a miúdo com os que seguem meu caminho; se tuas mãos estão vazias, podem ajudar-me.

Mas, se tomas e guardas todos os tesouros que te seduzem ao passar, quando Eu tiver necessidade de ti, teus braços estarão carregados e as tuas mãos plenas. Se te parece que não levas o fardo de um irmão mais humilde do que tu, recorda-te de que Eu Sou esse irmão. Eu Sou o mais humilde de teus irmãos.

Ajudando ao que tem necessidade de ti, andas pelo meu caminho.

Teu Mestre passa... e muitos não ouvem o ruído de seus passos e não se aproximam Dele; mas, muitas vezes, quando tu O buscas com o coração resoluto, está sua mão já pousada sobre ti, e serás  bendito. Sim, bendito, e não, apenas, tu, mas todos aqueles teus irmãos que tenham despertado e que O buscam também...

 

- XII -

Filho meu, compreende minhas palavras.

Eu estou em tudo o que é pequeno, como em tudo o que é grande. Eu estou em tudo o que é. Teu Senhor nada criou que não contenha uma parte Dele próprio. Eu estou em ti e só o sabereis quando te reconheceres em tudo. Eu estou em tudo; é seguindo o meu caminho que esse Todo chegará a ser tu mesmo.

Há o que é grande e o que é maior, realiza tudo o que pertence ao inferior, para conquistares o acesso ao que é superior. O inferior é terrestre; que ele te instrua, pois nada é de se desdenhar. Eu estou em toda parte.

Não busques o que é maior antes de haveres realizado as pequenas coisas; correrias o risco de andar com uma chave que não poderia abrir a primeira das portas que vais encontrar em teu caminho. A chave da segunda porta é feita da primeira; quem não houver feito esta com perfeição deformará aquela.

Eis porque deves caminhar humildemente, passo a passo, para, feliz, forjares a tua chave.

Em teu caminho muitas portas se apresentam, e todo candidato deve abrir a primeira dentre elas e franqueá-la, antes que a segunda gire sobre os gonzos; só aquele que é meu discípulo pode forjar as chaves que se hão de adaptar a essas portas.

De início, passarás por onde nada mais há senão ilusória aparência, onde cada floração só tem o vácuo por fruto; onde a fealdade espreita sempre, às escondidas. Mas, quando tiveres percebido essas aparências, quando as houveres julgado e compreendido, e quando tiveres bem avaliado essa riqueza e o vazio que contêm, terás encontrado a primeira de todas as chaves.

Depois, hás de passar por onde tudo está deformado e desgarrado, por onde o mal avança, triunfante, por onde o que é justo se exaure. Deter-te-ás, então, e, com as mãos feridas, aplainarás o caminho, e farás, para outros, a rota mais cômoda e bela. Assim, da fealdade tirarás a harmonia... e a segunda porta se abrirá diante de ti.

A terceira porta é branca como uma pérola preciosa e, ao longe, cintila no caminho, na rota da Paz que, para ti e para os outros, abrir-se-á.

Levando, então, em teu coração a lembrança dessa porta brilhante, prazer e dor ser-te-ão uma só coisa; terás preparado a chave que abrirá a quarta porta.

Há, no entanto, outras chaves, filho meu; mas não estás ainda preparado para recebê-las. Contenta-te, porém, com o que te possa dizer e forjar bem tuas chaves.

 

- XIII -

Eu Sou o “Tu Mesmo” que buscas interiormente. Eu não Sou tu mesmo, mas Tu Mesmo.

Filho meu, compreende-me bem. Eu te ensino, agora, uma verdade que te será necessário encontrar interiormente, pois a ti, unicamente, é que cabe compreendê-la, e quem a compreende aproxima-se do teu Mestre. Todavia, aquele que não a compreende também de mim se aproxima, desde que ponha minhas palavras em prática.

Nada temas. Quem tem medo não pode seguir a minha rota. Aos fortes marquei-os com o meu sinal.

Reclamo de meus filhos a renúncia, isto é, escolherem sempre o essencial e abandonarem o restante.

Reclamo uma castidade nascida da sabedoria (Não dês as Minhas palavras um sentido vulgar).

Reclamo a consagração da alma. Peço-lhe que se dê, por inteiro, à busca do meu caminho. Escolhe, pois, a consagração da pureza, porque é dos que tem coração puro que o espírito manifesta-se. A verdadeira Sabedoria sabe bem que castidade é essa que reclamo dos meus filhos.

Segue, também, minha senda na pobreza. Procura essa pobreza que pode tudo ter e que nada possui. Obedece também nisto, ao mandato da voz interior: compreendes-me?

Depois de uma longa jornada, tu te encontrarás contigo mesmo.

 

- XIV -

E agora que te falei, Eu resumo todas as minhas lições em uma só.

Antes que possas chegar a ser UNO COMIGO, conhecendo-me como devo ser conhecido, vem a Mim.

Faze, como fazem os meus filhos que sabem buscar e me encontrarás.

Tem sede de Mim, como aquele que espera pela sua bem-amada e, não obstante, não me busques no ardor do teu desejo, não desejes filho meu.

Não me busques, mas penetra em ti mesmo e CONHECE-ME.

Antes que possas ser marcado com o meu selo, antes que tenhas chegado a ser “aquele que despertou” tens ainda quatro grandes lições para aprender.

Estuda-as bem.

 

- XV -

Não busques o que está vivo, mas a Vida.

Os que têm ouvidos para ouvir, compreenderão.

Diferencia o mundo que te rodeia do mundo Eterno.

Distingue o que é do que não é.

Busca o permanente, mas não evites o transitório.

O primeiro passo para mim é o conhecimento; ele precede o sacrifício.

O que não tem sabedoria não sabe como é necessário dar, e o que não discerne entre o mortal e o imortal não pôs, ainda, o pé no meu caminho.

Lembra-te, filho meu, de que só o que possui Sabedoria pode oferecer um verdadeiro Sacrifício, pois unicamente aquele que conhece “o Eterno” pode transcender a forma temporal inferior.

Penetra em meu Silêncio. Procura ali o que julgas sem palavras.

És capaz de fazer distinção entre a vida e a forma? Elas se assemelham em muitos pontos. A vida é encoberta de muitos véus; só a alma que dispõe de visão interior é capaz de discerni-la. Toma, pois, teu lugar entre os sábios e trata de conhecer a vida independentemente da forma, com seus aspectos fugidios.

Coloca-te entre os sábios que possuem justa visão, antes de te esforçares para renunciar ao que consideras inferior.

 

- XVI -

O segundo ensinamento que te transmito é este:

Meu caminho é perigoso, mas segue-o fiel e perseverantemente. Conserva atento o ouvido interior, a fim de que minhas palavras não te passem despercebidas e continues sem despertar.

Sê indiferente ao fruto de teus esforços.

Sê indiferente aos resultados e, trabalha tal qual o que ignora o desperdício da alma.

Deixa de lado o fruto do esforço e, luta, luta como o que ignora o que é Sabedoria.

Aquele que trabalha tendo em vista um fim determinado deve, todavia, aprender minha lição profunda.

Aquele que é presa do desejo não me conhece, no entanto, não creias que me hás de encontrar anulando-te, mas transcendendo o desejo.

Quero que meus filhos sejam perfeitos, e não mutilados.

Enfrenta as experiências da vida; elas te instruem.

Depois de muito tempo, quando houveres combatido, lutado e conquistado, encontrar-te-ás de novo, indiferente ao resultado. Aquele que não se preocupa com o resultado da ação, e sim com a alegria de havê-la praticado, é um conquistador. Tal vencedor terá encontrado o Silêncio Interior da Palavra de seu Mestre.

 

- XVII -

A Terceira de minhas lições convoca-te a provas diferentes.

Sê o conquistador de todas as tuas personalidades sucessivas.

Seis obstáculos te fecham o caminho. Quebra-lhes a resistência...

Eu te dou estas regras com o fim de ajudar-te:

Sê dono do teu pensamento.

Não dês acesso em ti, senão ao que puderes desalojar facilmente; que os pensamentos de outrem não cheguem a ser teus, sem a sanção de tua própria vontade.

Milhares de inimigos te espreitam. Levanta-te, ó aprendiz do caminho e transcende-os. Procura a cidadela na qual ninguém poderá penetrar sem ordem tua.

Só o Espírito pode ver, ainda que vigiem olhos atentos; só o Coração pode saber, embora o mental possa ler.

Sê o rei de tua morada.

Sê o senhor de teus atos, conquanto servidor em minha obra. Não te deixes influenciar pelo sentimento ou pelo desejo, mas procede de acordo com o impulso mais íntimo de teu Eu profundo.

Quando agires, perscruta profundamente os preceitos da Lei Eterna (Shastras) e desiste da ação se ela redundar em prejuízo para teu irmão, ainda que em pequena escala.

Lembra-te de que, aos meus olhos, o menor é igual ao maior.

Sê compreensivo no que concerne às ações de teus irmãos e rigoroso no que diz respeito às tuas.

Sê tolerante para com as fraquezas que já tenhas vencido; sê, porém, inflexível quanto ao que te resta conquistar em ti mesmo.

Não procures impor tua opinião; põe à parte teu ponto de vista pessoal; tem paciência com os pensamentos que colidem com os teus.

Sê fiel até o fim.

Sê firme e resistente como o aço. Meu caminho só alcançam aqueles que não fraquejam.

Dá-me tua confiança total.

E Eu te iluminarei o caminho.

Dá-me tua fé.

E onde outros tiverem caído, ela te sustentará; pois tua fé é a única que abre minha senda a teus passos.

Avança, então, em perfeito equilíbrio, e pesa tudo na justa balança.

Só te será possível aprender esta lição realizando tudo o que a precede.

 

- XVIII -

E quando houveres caminhado segundo meus mandamentos, ó filho meu, o quarto grande ensinamento estará claramente inscrito em teu coração. Resume-se nestas palavras;

A verdadeira união com o Todo.

É, então, que serás UNO comigo e Eu serei UNO contigo; é, então, que meu coração pulsará no palpitar do teu; é, então, que TUDO é UM e UM é TUDO.

Quando tiveres alcançado essa unidade, terás palmilhado o caminho que conduz a Mim.

 

Convite

Vinde, todos vós que buscais. Vinde a Mim e encontrareis Meu Caminho.

Vinde, todos vós que tendes sede e saciai-vos no meu Amor.

Estou aqui, onde as grandes águas se agitam e se repartem.

Sou Eu quem irá ao vosso encontro, quando vos encontrardes na passagem estreita.

Oh, filho meu, com que ardor vos espero!...

Vinde a Mim e encontrareis meu caminho.

Assim falou o Mestre!

 

Esse texto não poderia deixar de ser anônimo,
uma vez que procede do ATMA no coração.
Ouça quem tiver ouvidos de “ouvir”.
Veja quem tiver olhos de “ver”.
Siga-o se sua alma já estiver
faminta da Sabedoria.

Que todos os seres sejam felizes,
alcancem a Paz e a Realização (a Prâpti).

OM OM OM

Visto 27129 vezes Última modificação em 25 Setembro 2013

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