O Avatar Sri Bhagavan Mitra Deva - Mestre e Proclamador da Suddha Dharma

Terça, 17 Setembro 2013 18:47 | Escrito por 

No texto de tradução inglesa do Upodghatha de Hamsa Yogui (Introdução ao estudo do Bhagavad Gita), publicado em um dos volumes da série “O Suddha Dharma Mandalam”, há alusão ao nascimento de Bhagavan Mitra Deva, como um grande Mestre. Na época dessa publicação pouco se conhecia sobre Ele, apenas um seleto grupo de membros do Mandalam, que ocupavam um alto nível na Organização, sabiam a respeito.

Daquela época para cá, foi compilado um elaborado trabalho em sânscrito para divulgar seu Advento como Mestre do Suddha Dharma Mandalam e Sua Missão. A referida publicação servirá como uma autêntica história a respeito do assunto para preservação nos arquivos do Mandalam. Se esta história será publicada no futuro próximo, a fim de ser acessível aos leitores em geral, é mais do que alguém pode predizer. Os leitores, de qualquer forma, acharão nas páginas seguintes a tradução do resumo do memorial sobre este assunto, compilado para fácil consulta pelos membros do Mandalam que consideram Bhagavan Mitra Deva o esperado Mestre do Mundo. O referido sumário conclui com o retorno do Deva para Brahma Vanan, um dos retiros secretos do Suddha Dharma Mandalam, nas fronteiras ao sul de Kashimir. Nenhuma informação está ainda confirmada, nem mesmo cogitada, a respeito dos subseqüentes movimentos do Mestre Infante, que está agora com aproximadamente seis anos de idade1 . Isto é presumivelmente exato, mas é considerado prematuro entrar nessa questão agora.

Creio que devo concluir estas poucas linhas acrescentando um comentário que pode ser encarado como a primeira exteriorização tangível dos eventos narrados no sumário aqui traduzido. O entusiasmo criado entre os membros do Mandalam, com relação a esses eventos, tem sido tão veemente a ponto de fazer muitos membros, que até então haviam se devotado ao trabalho espiritual do silêncio, deslocarem-se para os quatro cantos do mundo a anunciar a Suddha Dharma e a buscar reformas na vida do povo em geral, não apenas na Índia, mas também em outros países. Dessa maneira, contribuem para materialização do bem-estar do mundo. Assim, quatro dos mais elevados e evoluídos membros do Mandalam, a saber, Swami Sivananda, Swami Atreyananda e dois outros membros, todos bem fluentes na língua inglesa, dirigiram-se aos Estados Unidos da América e estão estudando as condições do local, antes de começarem a intervenção como pioneiros nessa linha de trabalho.

Considerando quão bem qualificados são estes ascetas para o nobre trabalho delegado a eles, expresso meus sinceros votos desejando que um verdadeiro contingente de trabalhadores de caráter extraordinário possa dar impulso à causa da reconstrução, atualmente tão urgente em todas as partes. Possa o labor abnegado deles, através da graça de Bhagavan Narayana, em cujo nome estarão sempre atuando, contribuir para o legítimo compartilhar concernente à realização dessas nobres esperanças que o novo Advento, universalmente esperado para ser próximo e ao alcance humano, possa trazer. O Advento trará com ele fundamentais e salutares transformações na vida social, nacional e da raça através de todo o mundo, sem as quais não poderá ser colocado um fim aos muitos males que atualmente afligem a humanidade, e, em conseqüência disso, melhorar a condição de todos os seres nos séculos que virão.

Om Namo Narayanaya

Sat Chit Ananda

Om Om Om

Sri Subramanya Iyer

Guindy House Madras

Dezembro de 1923

Sri Subramanya Iyer

Dr. Sri S. Subramanya Iyer Avergal, foi juiz, Presidente da Suprema Corte de Madras, Índia, no início do século passado, e também vice-presidente da Sociedade Teosófica. Foi escolhido pela Grande Hierarquia Branca do Himalaia para divulgar ao mundo, em 1915, a existência desta e os propósitos do Suddha Dharma Mandalam. Ele foi iniciado pelos Mestres como Ananda, o grau mais elevado da Ordem dos Swamis, passando a chamar-se Subramanyananda. Foi ainda a Primeira Autoridade Iniciática Externa do Suddha Dharma Mandalam. Faleceu em 1924 deixando enorme legado de elevados conhecimentos sobre o Yoga Brahma Vidya.


 

 

A Transição - A Profecia


Sábios perceberam que, quando é proclamado, no Bhagavad Gita, a decadência da retidão no mundo e a virtude é submetida à falência, o Supremo Senhor de verdadeira e imaculada Vontade e Determinação, aquele que assumiu o pesado dever de governar o mundo, ato este que ninguém a não ser Ele pode adequadamente desempenhar, advém. Ele faz, na execução de semelhante dever, aparecer-se Ele mesmo, ou então, toma Avatares na pessoa de Hierarcas, para pôr fim a toda obscuridade e para restaurar e proteger a retidão e a virtude no mundo2 . Todos os anos na Lua Cheia de Vaisakha, os Anciãos do Suddha Dharma Mandalam, que são os Siddhas, Mahayoguins, Yoguins, Maharishis e Rishis, reúnem-se em assembléia na região sagrada de Badarivana, conhecida como Visala Badari. Sendo eles seres de propósitos elevados visando ao bem-estar do planeta, presidem a grande celebração durante a qual invocam e oferecem bênçãos para o mundo. Conforme este costume, durante a celebração que teve lugar na Lua Cheia de Vaisakha do primeiro Parva3  do 500° (qüingentésimo) Sankalpa4  correspondente a 11 de maio de 1892, depois das preces e bênçãos costumeiras serem feitas, teve lugar uma importante Conferência dos Grandes Seres ali congregados.

Vajradeva5, um Siddha presente na Assembléia, levantou-se e, com júbilo, dirigiu-se a todos com grande repercussão. Ele disse que desde o 476º (quadringentésimo septuagésimo sexto) Sankalpa e aproximadamente 1450 A.D., tem havido Avatares e outras manifestações para a propagação da Suddha Dharma e para ensinar a Yoga Brahma Vidya, ou Ciência Sintética do Absoluto. Ele mencionou para a audiência que, com o propósito de restabelecer o Sanátana Dharma Ancestral e colocá-lo numa base sólida, cerca de 43 Seres, que haviam se elevado para além das nuvens, cerca de 24 Grandes Seres que eram verdadeiramente inspirados diretamente pelo Senhor, e ainda cerca de sete Avatares do próprio Senhor, na pessoa de Sete Grandes Siddhas6: Tépana, Badara, Nandabhadra, Dásanatha, Rinkana, Pandara e Nakayogui têm-nos visitado, desde o referido Sankalpa. Todas essas Manifestações aconteceram em várias localidades e países. Uma vez alcançado o objetivo da vinda dessas excelsas manifestações e avatares, os respectivos Grandes Seres retomaram aos seus próprios planos ou esferas. Desde então, devido ao lapso de tempo e outras causas, a influência e a prática do Suddha Dharma têm declinado e sua promulgação urge. De acordo com a Vontade do Senhor, é dever dos Anciãos fazer o que for necessário para restaurar o Dharma Ancestral.

Quando Vajradeva concluiu seu discurso, o grande ascencionado pelo Senhor, Muktadeva7, dirigiu-se à audiência. Ele endossou tudo o que o orador anterior havia dito e acrescentou que alguém, de reconhecida posição do Mundo Exterior, seria escolhido e através dele seria feito o empenho, tanto quanto possível, de restaurar a prática do Dharma Suddha entre os povos. Esta será a maneira adotada para fazer cumprir a Vontade do Senhor. Em seguida ele declarou que a respectiva restauração iria começar aproximadamente no fim do 500º (qüingentésimo) Sankalpa e aproximadamente 1916 A.D., estendendo-se durante e após o referido Sankalpa. Disse ainda que, durante o segundo Parva do 501º (qüingentésimo primeiro) Sankalpa, em meados de 1918/1919, haveria um fragmento ou uma partícula Hamsa (raio) da sete centésima parte (7/100) do Senhor Narayana, difundindo em todas as direções do mundo e por toda a parte, os princípios da Suddha Dharma, cuja atuação dar-se-ia valendo-se de um Siddha. Portanto, todos deveriam empenhar-se no que fosse necessário para os preparativos para este Magnífico Evento. Ele concluiu dizendo que em cada dia da Lua Cheia de Maio (Lua Cheia de Vaisakha) bênçãos especiais poderiam ser invocadas para este Avatar e para o apropriado cumprimento deste desígnio ou missão. A proclamação foi recebida com aclamações de júbilo pelos Mahatmas ali presentes, todos eles elevados para além das nuvens pelo Senhor Narayana, Nara, Yoga Devi, Dakshinamurty e os Kumaras. Treze anos após a mencionada reunião (de 1821) no Visala Badari, no 13º Parva do 500° (qüingentésimo) Sankalpa e aproximadamente em 1905, uma Assembléia de alguns dos Hierarcas teve lugar no Pita do Suddha Dharma Mandalam em uma colina da Cordilheira de Kolli Range. A reunião transcorreu sob a presidência do Siddha Yagnanandana8, o Hierarca encarregado do Pita ou Sede.

O Mahatma Dharmadeva dirigiu-se à audiência, referiu-se ao que foi dito na Conferência de Visala Badari, e observou que havia chegado o momento de selecionar a pessoa do Mundo Exterior que haveria de ser o canal para a propagação da Suddha Dharma; e que os Anciãos, com a ajuda de seus poderes yóguicos deveriam fazer o indispensável para isso. Assim, em vista da iminência do Avatar, a introdução de certas mudanças no trabalho do Mandalam tornava-se necessária e muitas reformas na vida do povo haveriam de brotar para assegurar a ventura a todos os seres. Quando Dharmadeva acabou seu discurso, sete dos Mahatmas ali presentes comprometeram-se a trabalhar para esta causa com a contribuição de seus poderes místicos.

O Avatar

É imperativo mencionar que durante a celebração da Lua Cheia de Vaisakha no Visala Badari, na presença de 32 Grandes Siddhas, dos Sapta Rishis9  ou Senhores dos Sete Raios, e de outros Mahatmas, quando surgiu a questão da definição dos elementos sutis, requeridos para a formação do invólucro ao redor do qual haveria de desenvolver-se o corpo físico a ser ocupado e usado pelo Avatar, Rinkana ofereceu-se para supri-lo com seu próprio invólucro de Devi Prakriti10, criado por suas austeridades e pelo poder de suas meditações. Este oferecimento foi aceito por todos.

Imediatamente uma porção da Devi Prakriti do Grande Siddha uniu-se no tempo preciso ao feto em gestação no ventre de uma mulher santa, esposa de um cavalheiro de nobres qualidades e residente em uma das aldeias de Maharastra. Esta criança veio a ser o veículo de um fragmento do Senhor ou um “Hamsa” (raio). A gestação de sua mãe foi muito peculiar, de desenvolvimento puro e admirável, completamente diferente das gestações comuns. Foi desse corpo puríssimo que Bhagavan Mitra Deva nasceu para ser o Mestre do Mundo, vindo à luz no dia da Lua Cheia de Pushya, do ano Kala Yukti, a saber, no dia 16 de janeiro do ano de 1919.

A Troca da Morada e a
Celebração de Seu Nascimento

No dia da Lua Cheia de Vaisakha (14 de maio de 1919) a Criança Divina no colo de Sua Mãe, cujo marido há algum tempo falecera, foi transportada sob os benéficos cuidados de Grandes Seres e alcançou Srivana ou a Floresta Bilva, uma das cinco florestas nas proximidades de Maha Guha (Grande Gruta). As outras quatro Florestas são conhecidas como Samyak Vana, Amra Vana, Maha Vana ou Brahma Vana e Bakula Vana. Neste mesmo dia, foi concedida à Criança a cerimônia de Karna Vedhana (perfuração de orelha) e Annaprasana (ritual de alimentação) e Ele foi embalado para dormir em uma rede que balançava entre duas árvores colossais. O Avatar continuou a conviver e a crescer nessa morada sendo nutrido e amamentado por Espíritos da Natureza da ordem conhecida como Gamalakas11 e saciado adicionalmente pelos pássaros de Nara. Em referência e consideração a esta cerimônia de Celebração do Nascimento do Senhor pelos Grandes Siddhas, pelos Senhores dos Sete Raios e pelos Mahatmas, a cerimônia da Lua Cheia de Vaisakha daquele ano foi adiada por um mês, e as duas cerimônias (de maio e de junho) foram celebradas juntas pelo Mandalam, no abençoado dia da Lua Cheia de 13 de junho de 1919.

A Entrada em Maha-Guha
O Primeiro e o Segundo Discurso
A Iniciação Vasudeva (Vasudeva Deeksha)

No ano seguinte, na Lua Cheia de Vaisakha (4 de maio de 1920), Bhagavan Mitra Deva foi retirado dos cuidados de sua mãe, e dez grandes Mahatmas o transportaram de volta a Maha Guha entoando em uníssono o Mangalam Sloka (versos de bênçãos).

(1) Bendito seja Mitra Deva, filho de Ganga Devi, dotado de substância Mahatmica, para sempre bênçãos para Vós, encarnado para a propagação da Suddha Dharma;

(2) Bendito sejais Vós, manifestado no segundo ano do qüinquagésimo primeiro ciclo da Era Suddha neste Kaliyuga;

(3) Bendito sejais Vós, auspiciosa e divinamente encarnado, para a proteção de tudo, agora que o mundo está em crescente irreligiosidade, e os Dharmas apropriados estão minguando;

(4) Bendito sejais Vós, de efulgência divina, sendo a personificação do Dharma manifestado com um fragmento (Hamsa) do Senhor Narayana, e encarnado para a prosperidade da humanidade;

(5) Bendito sejais Vós, o Reverenciado, aquele que surgiu aqui revestido de Deivi Prakriti formada durante eras pelas prolongadas austeridades (tapas) do Mahatma Rinkana;

(6) Bendito sejais Vós suplicado por Sri Yoga Devi para instruir as raças nas verdades, na prática do Dhama Ancestral e na Ciência Sintética do Absoluto;

(7) Bendito sejais Vós, Realizador das aspirações justas de todos os aspirantes, para Vós Brahma Deva, supremo e universal, inspirado com os poderes de Vossa Suddha ou transcendente meditação;

(8) Bendito sejais Vós, glorificado pelos homens santos, dotado de excelências yóguicas, Realizador da ação universal, para Vós sempre de abundantes e transcendentes alegrias, Amado por todos e Mestre da Suddha Dharma;

(9) Bem-aventurado sejais Vós, sempre centrado na verdade transcendente, de absoluta ideação, de ação universal e de transcendente Yoga; para Vós que morais na verdade e venerado pelos devotos da veracidade;

(10) Bênçãos para Vós, grande Mestre, aquele que, neste Kaliyuga, foi encarnado para outorgar para todos o néctar do Yogapuro, antigo e digno de ser partilhado por todos os povos.

MANGALAM MITRA DEVAYA
GAMGEYAYA MAHAT MANÊ
SUDDHA DHARMA RACHANARTAM
GAVATIRNAYA MANGALAM

YEGAKANDA THADADHAME
SANKALPE SUDDHA LAKSHANE
VIDDIYE VADBRANY KALOU
PRAPTA RUBAYA MANGALAM

PRAVIRDE NASTYE LOKÊ
DHARME SHINE VARAVARÊ
SARVE SHANGUTHAYE SWARTA
DIVYA DEVYAYA MANGALAM

SARVA LOKHA RACHANARTAM
SHAMBU DAYA MAJAUSAYE
NARAYANAYA AMCHA BHUDAYA
DHARMA DEVYAVA MANGALAM

MAHAT MANA RINKANÊ
NASIRAM SVATA PATHA SYDAM
DEVY MANU MADIRDAYA
SANYAT ATHYAYA MANGALAM

SUDDHA YOGA BRAHMA VIDYA
DHARMAN SAYVA SANATANAM
LOKAM SHARDYDTYDAYA
YOGA DEVYAGI MANGALAM

PRADPANNA KALPA DARAVE
PRADANNA GUNA SALINÊ
PRADCHANNA SUDDHA DADVASE
BRAHMA DEVYAYA MANGALAM

PUNNYA SLOKAYA DIRAYA
PARIPURNA GUNA ATMANE
SUDDHA NANDHAYA GANDAYA
SUDDHA DEVAYA MANGALAM

SATYAYA SATYAKAMAYA
SATYADANDAYA YOGUINE
SATYA STANAYA SATYAATCHA
PARAPIRAYA MANGALAM

KALOU YOGA AMRITHAM SUDDHAM
SARVA VOGUIAM SANATANAM
LOKAM SARVAM PRASAYATE
MAHA CHARYAYA MANGALAM

Na Maha Guha ou Sublime Caverna, o Avatar sofreu a Grandiosa Iniciação conhecida como Vasudeva Deeksha. A Iniciação foi dada pessoalmente por Bhagavan Vasudeva sem os rituais mântricos usuais nos casos comuns. O objetivo desta iniciação foi remover eventuais impurezas deixadas pela gestação no ventre de uma mulher. Após a sua Iniciação, em 22 de outubro do mesmo ano, enquanto o Avatar permanecia em Maha Guha, por haver sido requisitado por Rinkana, Ele concedeu seu primeiro discurso. Falou sobre especificidades da Suddha Dharma em geral, na presença de cerca de 100 Mahatmas, e ainda o quinto, sexto e sétimo dos Senhores dos Sete Raios: Kaladeva, Subramanya e Devapi. O discurso seguinte, o segundo, foi proferido em 23 de janeiro de 1921, e versou sobre a Missão Futura dos Hierarcas.

Retorno para Srivana
Terceiro e Quarto Discursos

No dia da Lua Cheia de Vaisakha, 21 de Maio de 1921, Ele foi retirado da Sublime Caverna para Srivana. Sri Yoga Devi, na forma materializada que a ocasião exigia, fez sua aparição lá e concedeu o mantra para ser usado na invocação do Avatar. Entoamos o mantra como se segue:

Aum, Saudações a Mitra Deva, Mestre de Brahmico Resplendor. Com o coração purificado, eu me aproximo de Ti com reverência para a legítima assimilação da Suddha Dharma. Eu fervorosamente invoco a Luz de Mitra Deva, de Verdade Absoluta, para que Ele possa inspirar divinamente meu intelecto para que eu compreenda que Narayana é o Todo.

OM OM OM HRIM HIM MAN NAMAH

OM NAMO MITRA DEVAYA
GURAVE BRAHMA VARCHASE
UPASE TWAM SUDDHA DHARMA
SIDDHAYE AMALANCHETASA

TAT SUDDHAM MITRADEVASYA
TEYAH SATYAM SUDDHYMAHI
NARAYANA PARA DIVYA
DIYOYANNAH PRACHODAYAT

OM OM OM HRIM HIM MAN NAMAH

A Suprema Deusa ordenou que, como procedimento para a prosperidade terrena e avanço espiritual, todos os membros do Mandalam deveriam repetir esses versos diariamente, além de fazer a recitação deles em cada dia de Lua Cheia de Vaisakha.

O terceiro discurso do Avatar foi ofertado em 11 de outubro de 1921, e o tema foi o Dharma desta Era. Quando Ele se pronunciou novamente em 13 de janeiro de 1922, estava em Maha Guha, local para onde havia sido transportado neste meio tempo. Nessa ocasião Ele falou demoradamente sobre as futuras mudanças Dhármicas e esses Discursos foram arquivados pelos Anciãos Maiores da Aldeia de Sankhala. Também presentes ali estavam 136 Mahatmas provenientes da Aldeia de Brahmala. Nessa assembléia o Senhor Narayana e Yoga Devi ascencionaram alguns dos Mahatmas presentes e, ao final do discurso, houve uma chuva de flores perfumadas.

Yoga Devi Diksha do Avatar

A Yoga Devi Diksha é a mais elevada das sete grandiosas Iniciações. Bhagavan Mitra Deva a recebeu em 11 de maio de 1922. Um enorme Mantap (altar) foi erigido sob a brisa fresca de Amrita Saras, um lago em Brahma Vana, para cenário do Yagna. A Cerimônia começou em 2 de maio de 1922 e durou nove dias. No décimo dia, que era o dia da Lua Cheia de Vaisakha, aproximadamente às seis horas da tarde a própria Sri Yoga Devi manifestou-se na cena, Ela mesma em essência, com a forma requerida para a ocasião, e permaneceu em pé no sétimo degrau da escadaria do lago que continha 108 degraus. Nessa ocasião o Avatar estava em seus braços e sua Abhisheka (cerimônia do banho) foi oficiada naquele momento preciso, por cada um dos sete Hierarcas, 136 Mahatmas, sete dos 32 Siddhas todos do Comando Central da Aldeia de Brahmala. Ali presentes estavam ainda outros 47 Siddhas e 340 yoguins.

Logo depois, Ele foi levantado no braço esquerdo de Yoga Devi. Ela tocou sua palma direita no Seu Bramaranda (no topo da cabeça) e O iniciou. Houve uma radiância de suave e brilhante resplendor em frente que se estendeu por um raio de 500 milhas e houve uma chuva de leite e flores. Um raio de Luz emanado do centro da fronte do Avatar cresceu até o tamanho de uma lua cheia em ascensão no horizonte, subiu alto no céu e traçou círculos sobre uma circunferência de muitas milhares de milhas convergindo e desaparecendo na mão direita de Sri Yoga Devi que ainda sustentava a criança acima de sua cabeça. A cor do raio era a mesma de Bhagavan Mitra Deva e a sua melhor descrição seria um matiz feito de sete partes de branco e uma de vermelho.

Os Anciãos haviam gravado em seus registros que o raio ou facho de Luz foi visto em muitos lugares, que, em algumas localidades, pessoas castas e que eram de mente e vidas puras foram iniciadas naquele momento, e também que para alguns membros do Suddha Dharma Mandalam a radiância apareceu sob a forma de uma criança. Nesse dia, em toda a superfície do planeta, ao cair da noite, nos respectivos lugares, o raio ficou facilmente visível e isto foi um fenômeno extraordinário e inusitado. Foi nesse dia, quando o Avatar estava com quatro anos de idade (e cinco incluindo o período pré-natal), que lhe foi permitido tocar o solo pela primeira vez após seu nascimento.

Quinto e Sexto Discurso

O quinto discurso do Avatar teve lugar em 30 de setembro de 1922 e versava sobre o significado da Yoga Brahma Vidya (Ciência Sintética do Absoluto) e seus benefícios já mencionados para o mundo. O sexto discurso foi especificamente sobre a Missão do Avatar. Ele falou sobre o propósito de seu novo advento e discorreu sobre as obrigações dos membros do Mandalam para a plenitude de seu trabalho. Por esse motivo foram tomadas as seguintes decisões:

1. A formação da Mitra Brinda ou Ordem de Mitra Deva.

2. Encontros e designação de oficiais em vários lugares para proporcionar a Iniciação.

3. Organização para a remoção e transferência dos Pitas ou Centrais de Postos Oficiais, criando e restabelecendo Sankhus, além de investir cada um destes centros com poder.

4. Instrumentalização e inspiração dos discípulos e membros já engajados na disseminação da Suddha Dharma.

5. Estabelecimento de 24 Yoga-Ashrams neste país e em outros.

6. Elucidação através de escritos autorizados sobre a existência dos Mahatmas, que irão propagar a Suddha Dharma nesses diferentes Centros.

A Celebração do Maha-Yagna para Cooperar com o Futuro Avatar e para a Institucionalização da Mitra Brinda ou Ordem de Mitra Deva

O Maha-Yagna foi iniciado após um lapso de cinco dias a partir do quinto mês do quinto aniversário de nascimento de Bhagavan Mitra Deva, portanto 5 anos, 5 meses e 5 dias após seu nascimento. Desde quando o Yagna começou, até a sua conclusão, Bhagavan Mitra Deva, em companhia de outros Mahatmas, ficou em Samadhi12 em Brahma Vana. Ele ficou a inspirar os dois Mahatmas, Vajradeva13  e Ratna Deva, na representação do ritual em que um deles representava predominante o princípio feminino, enquanto o outro tinha a aparência masculina. Em conexão com a apresentação ritual deste Maha Yagna, houve uma assembléia de 24 Siddhas, 24 Maha Yoguis, 24 Maha Rishis e 24 pessoas que haviam alcançado o estado de Ananda e 12 pessoas de outros diversos graus. Incluindo os 2 oficiantes como Mestres, eram ao todo 110 pessoas. Ali foi consagrado o mais importante Yantra de Mitra Brinda, em 4 de maio de 1923, e juntamente com esse Yantra foram consagrados 64 outros Yantras menores para os vários membros da Ordem usarem em si mesmos.

Esse Yagna foi realizado próximo a Vanga Pitta, a Sede do Mandalam em Bengala e a Avabhritam ou a consumação final da cerimônia, foi em um lugar ao leste do Peetta, aos pés dos Himalaias. Este Avabhritam, aconteceu em três fases. A primeira relacionada internamente ao próprio Bhagavan Mitra Deva, foi concluída formalmente ali e efetivamente consumada mais tarde em Bhrama Vana. A segunda fase foi em intenção dos dois Mahatmas e os outros oficiais do Mandalam; foi oficiada em 3 de julho de 1923 e somente eles participaram dela. A terceira dizia respeito aos demais membros do Mandalam presentes e foi iniciada em 6 de julho de 1923. Após a conclusão do segundo Avabhritam três outros Mahatmas: Vaidurya Deva, Mukta Deva e Pravala Deva vieram para o local do Avabhritam e em 6 de julho de 1923 um Avabhritam geral, para todos os membros foi oficiado e todos os 5 Mahatmas participaram dele.

Na ocasião do terceiro Avabhritam, foram expostos e guardados, na metade do evento da referida assembléia, o trono, a coroa, o bracelete, a grinalda de pérolas, o colar de todas as pedras preciosas e outros ornamentos e vasos de ouro para serem usados por Bhagavan Mitra Deva. Todos esses objetos foram salpicados de água santificada. Na realidade o Avabhritam do Avatar teve lugar efetivamente em 19 de outubro de 1923 em Maha Vana. Ele estava sentado em um estrado de ouro sob uma árvore Banyana. Em frente a Ele havia um Kamandalu de ouro e uma Yogadanda, ou cetro de Yoga, também feita de ouro. Ele usava uma vestimenta tecida totalmente em fios de ouro e trazia no pescoço colares de pérolas. Atrás dele estavam em pé dois Siddhas Kannikas, e a própria Yoga Devi o banhou. Trouxeram para seu banho a água que havia sido usada no banho de Narayana e Yoga Devi, permanente em seus próprios corpos no Uttara Badari. Este banho do Avatar é conhecido como Yoga-Abhisheka e foi realizado durante o Navarathri, quando Mitra Deva conduziu o Navarathri Puja de Sri Yoga Devi. Os Siddhas que estiveram presentes lá cantaram os poucos versos seguintes em louvor ao Avatar:

(1 e 2) Eu invoco e aspiro a refulgência do Senhor dos Mundos, Bhagavan Mitra Deva, o Menino dos Olhos de Lótus, com um sorriso divino em seu semblante, que tem sido venerado por todos os Siddhas e Mahatmas e que está sentado em um estrado de ouro, estendendo a perna esquerda e com a perna direita dobrada;

(3) Repousando a mão esquerda no joelho esquerdo, com a mão direita exibindo o sinal átmico (Gnana-Mudra) e radiante com efulgência divina;

(4) Servido por dois Siddhas Kannikas (ninfos celestiais) e por Yoguins, Mahatmas, Siddhas, Maharishis, Dasas, Teerthas e outros;

(5) Assim glorificado com cânticos sagrados, usando braceletes de ouro, vestido com túnica em ouro, grinalda de pérolas adornando o peito e iluminado com formas divinamente auspiciosas;

(6) Empunhando o cetro de Yoga, sereno, tendo diante de si o Kamandalu de ouro, resplendoroso de glória suprema, meditando naquele que eu entronizo como relíquia em meu Coração.

Estas estrofes descrevem o Senhor como Ele apareceu naquela ocasião. A Cerimônia do Navarathri do ano 1923 é especialmente sagrada, porque o Yoga-Abisheka (banho sagrado) do Senhor foi realizado durante aquela ocasião, e também porque Ele mesmo conduziu o culto à Yoga Devi (Pooja), geralmente oficiada durante esse período. Sendo servido por Mahatmas e outros Seres ascencionados e sempre velando para que a elevação e o bem-estar do planeta prossiga, o Senhor continua habitando em Mahavana.

Notas

  1. Época da publicação do texto: dezembro de 1923.
  2. “Todas as vezes que há decadência da retidão no mundo, por conseguinte, oh Bharata, Eu envio Seres avançados ao mundo. E a cada mudança de Era, Eu faço surgir meu próprio Ser no planeta, para a proteção dos adeptos da Justiça e para depurar, moderar ou corrigir aqueles que estão obstruindo a evolução planetária, como também para reconstituir, restaurar ou ajustar o Dharma Ancestral”. Bhagavad Gita Cap. III vers.13 e 14
    Observação: A tradução do mesmo trecho na Edição do Bhagavad Gita, em espanhol (Cap. III vers. 13 e 14 - Edição do Suddha Dharma) é a seguinte: 13 “Sempre que, oh Bharata, decai a retidão e sobrevém a preponderância da injustiça, Eu Me manifesto a Mim mesmo como um Siddha para ensinar o verdadeiro Conhecimento do Sanátana Dharma”. 14. “Para a proteção dos justos, para a transmutação da injustiça (Adharma) em justiça (Dharma), e para o estabelecimento do Sanátana Dharma, manifesto-Me a Mim Mesmo em perfeitas e saudáveis Encarnações, para ajustar o Dharma de acordo com a necessidade dos tempos”.
  3. Parva período de um ano.
  4. Sankalpa unidade de cálculo de tempo de 24 anos, usada pelos membros do Suddha Dharma Mandalam.
  5. Vajradeva é o Siddha conhecido como Madhushyanda; ele é um dos 32 Siddhas referido na 2ª sílaba do verso “Namaste Naradevaya, Namo Narayanayacha”. As 32 sílabas deste mantra completo são as iniciais do nome de cada um dos 32 Grandes Siddhas da corte do Senhor Narayana.
  6. Tepana é mencionado na 3ª sílaba do verso citado anteriormente. Seu Avatar foi um guerreiro budista em Hardwar.
    Badara é mencionado na 17ª sílaba. Seu Avatar surgiu em um local do estrangeiro.
    Nandabadra é mencionado na 31ª sílaba. Seu Avatar também surgiu em um local do estrangeiro.
    Dasanatha é mencionado na 18ª sílaba. Seu Avatar foi conhecido com o nome de Lord Gauranga.
    Rinkana é mencionado na 19ª sílaba. Seu Avatar foi um Sanyasin do Distrito de Trichinopoly, em Presidency/Madras.
    Pandara é mencionado na 28ª sílaba. Seu Avatar foi Karunguli Ramalingaswamy, em Chimdambaram, em Presidency/Madras.
    Nakayogui seu Avatar aconteceu em Nagai Distrito de Tanjore em Presidency/Madras.
  7. Muktadeva é o mesmo Siddha chamado de Tepana, já citado anteriormente.
  8. Yagnanandana: Existem trinta e dois grandes Seres que inspiram o conhecimento do Dharma Suddha, dirigindo sutilmente todos os eventos importantes da história da terra em nome de Bhagavan Narayana. Yagnanandana é um deles. Ele é o Siddha protetor da energia de todos os membros do Suddha Dharma Mandalam. Está sempre ocupado no Yoga (poder da Síntese) e é o Senhor dos Montes de Kolly.
  9. Sapta Rishis são Narada, Vamadeva, Kasyapa, Chandabhanukah, Kaladeva, Subrahmanya e Devapi que são respectivamente os Senhores dos Lokas Satya, Tapas, Gnana, Mahah, Svah, Bhuvah e Bhur.
  10. Devl Prakriti: Todas as manifestações existentes, inclusive dos regentes, são controladas pela Brahma Shakti, que é também chamada Atma Shakti ou ainda Maya. De acordo com os Mestres da Escola de Pensamento Suddha, o termo Maya é usado quando nos referimos a Shakti de Brahman e nunca deveria ser interpretado como ilusão ou irrealidade. Maya é um poder de Deus (Brahman) e é tão real quanto Seus demais poderes. Este poder manifesta-se de três formas conhecidas como Deive Maya, Esha Maya e Gunamayi Maya. A primeira delas (Deive Maya ou Deivi Shakti) é relativa ao Paramatma e diz respeito ao aspecto que efetua o trabalho do Paramatma no Cosmos. É através deste aspecto da Shakti que aqueles que alcançaram o grau de Mahatma e a libertação, trabalham em sintonia e cooperativamente com a Suprema Causa de Tudo. A segunda (Esha Sakti) é o instrumento usado especialmente para os grandes propósitos dos Hierarcas e outros Grandes Seres, os quais aparecem como Avatara-Purushas para o restabelecimento do Dharma. A terceira (Gunamayi Shakti) diz respeito a toda a evolução humana e está atualmente avançando progressivamente. Para que a Shakti (energia ou poder) manifeste estas funções é necessário existir a Prakriti ou Matéria Primordial. Essa Matéria Primordial é também dividida em três classes e são conhecidas como Deivi Prakriti, Kalyani Prakriti e Swaroopa Prakriti. Suas funções são correlatas a Deivi Maya, Esha Maya e Gunamayi Maya. Os egos individuais em evolução nas várias esferas residem na Swaroopa Prakriti e são envolvidos por Gunamayi Maya. Suas funções duram no Samsara o período necessário e eles geralmente não têm a faculdade de exercer o próprio livre-arbítrio. Aqueles Grandes Seres, que encarnaram de acordo com a necessidade dos tempos, deste modo, transformaram-se em canais para a difusão do poder Brahmico, geralmente residem na Kalyani Prakriti e exercem suas funções com Esha Maya. Eles podem, por força de sua própria e livre vontade, regular o significado e a complexidade de suas próprias missões, as quais podem durar apenas por um instante, como foi o caso de Narasimhavatar, ou por eras inteiras. O Paramatma e os Senhores dos Mundos estão todos incorporados na Deivi Prakriti e atuam na Deivi Maya. Eles são capazes de materializar as respectivas condições para o pleno êxito de suas missões. Quando um Avatar manifesta-se, um Hamsa, ou fragmento do Senhor, surge no mundo revestido em uma destas três Prakritis. É importante salientar que na manifestação de um Avatar com forma material (na Prakriti), Ele submete a si mesmo às limitações da forma de matéria na qual passa a existir. A despeito disso, ainda que haja potência na origem da Luz, é considerado que o volume da Luz, que poderá irradiar-se dele, irá depender da transparência do intermediador, rendido à sua energia. Assim, quanto mais opaco o intermediador, mais nebulosa a Luz se refletirá. Grandes Avatares de Sri Ratna e Sri Krishna incorporaram uma porção maior de Hamsas (raios ou fragmentos de energia) do Senhor Narayana; a Prakriti ou revestimento material escolhido por eles foi Swarupa Prakriti. Eles selecionaram e se sujeitaram às limitações desta forma de matéria. Surgindo como homens comuns, acomodaram-se a este estado de ser. Bhagavan Mitra Deva, tendo encarnado na mais elevada forma de matéria e funcionando no melhor dos aspectos do Atma Shakti, está além dessas limitações. Portanto, encarnando o menor raio do Senhor (Hamsa), Mitra Deva é, por causa da Prakriti na qual concebeu seu ser, capaz de maiores realizações. E é perfeitamente natural que seja assim, uma vez que, enquanto a missão dos outros grandes Avatares foi por uma raça especifica, a meta do presente advento é pelo bem-estar e enobrecimento do mundo inteiro, estando, portanto, compromissado com muitas raças.
  11. Gamalakas: o antigo livro Adveda usa este termo referindo-se aos Siddhas Kannikas.
  12. Samadhi: Quando uma pessoa eleva a sua consciência individual ao nível Atmico, torna-se capaz de discernimento universal. Este tipo de estado de consciência é conhecido como Samadhi.
  13. Os 32 Siddhas que foram elevados acima das nuvens (ascencionados) pelos Senhores Narayana, Nara, Voga Devi, Dakshinamurty e pelos Kumaras são conhecidos coletivamente como Vajra Deva, Mukta Deva, Ratna Deva, Pravala Deva e Vaidurya Deva. Aqueles que serviriam no Yagna são diretamente descendentes espirituais destes grandes Siddhas.

 

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