O Mantra e o Yantra de Mitra Deva

Quarta, 18 Setembro 2013 19:29 | Escrito por 

Esse texto é a compilação comentada de dados extraídos à partir do estudo de escritos e documentos do acervo da Biblioteca Interna do Suddha Sabha Atma.

“Todas as vezes que há decadência da retidão no mundo, por conseguinte oh Bharata, Eu envio Seres avançados ao mundo. E a cada mudança de Era, Eu faço surgir meu próprio Ser no Planeta, para a proteção dos adeptos da Justiça e para depurar, moderar ou corrigir aqueles que estão obstruindo a evolução planetária, como também para reconstituir, restaurar ou ajustar O Dharma Ancestral”. Bhagavad Gita Cap. III /13 e14.

O Avatar da Era Aquariana já está entre nós em corpo de natureza extremamente sutil. Os fatos inéditos revelados nos artigos que antecederam a este, esclarecem bastante sobre a “descida” de Avatares. Além disso, ainda este ano a Editora Ecos da Síntese lançará um Tratado sobre o Mistério que envolve as Encarnações Divinas, trazendo luzes sobre o assunto. Concluiremos com um breve estudo sobre o Yantra de Mitra Deva que simboliza, com as sílabas místicas inseridas em sua forma circular, o vórtice de transmutação que se faz necessária à raça humana, neste Kali Yuga.

É notório que a humanidade passa ininterruptamente por processos de elevação gradual do seu plano de consciência, tanto individual como coletivo. O sistema da organização política e econômica em vigência, a cada Era, tem necessidade de constantes reajustes, de tempos em tempos, para direcionar a evolução da raça planetária. É exatamente por isso que o Senhor envia-nos seres especiais, ou “Encarnações Avatarapurushas” que são nascimentos de seres de alto grau de evolução espiritual, e que nascem com uma personalidade, ou presença, já pura e santa. Essas Encarnações Divinas vêm ao planeta para desempenhar uma missão determinada pelo “Senhor”, de acordo com a necessidade e urgência da intervenção divina direta no campo físico denso do planeta. Os Avatares são enviados ou “descensos” (descidos) ao planeta para desempenhar uma Missão determinada pelo Senhor (Cristo). Avatares são seres angelicais que, por livre escolha e por seus próprios méritos submetem-se a descer aos planos mais densos da manifestação material, que é o Plano onde nós humanos vivemos. Eles vêem com Missões específicas ligadas à reorganização e reestruturação da Ordem Planetária então vigente. Sua ação se expande através de energias sutis por nós ainda desconhecidas; a Física Quântica, todavia, já esboça teorias bem próximas ao real funcionamento dessas energias. A conexão a essa misteriosa e forte energia sutil é feita através da prática da Lei da Unidade Cósmica Universal ou Bhavana.

As Leis Divinas Universais, nas quais o funcionamento do mundo está baseado, têm sido deturpadas e deterioradas nos últimos tempos na terra. O Senhor Mitra Deva veio, enviado pelo próprio Cristo, para restaurar esses danos. O Yantra de Mitra Deva e o Mantra escrito em seu interior são chaves para este salto que se impõe ao processo evolutivo em curso, pois sintetizam os ensinamentos trazidos ao planeta com o advento da Energia do Espírito Consolador desta Era, Sri Bhagavan Mitra Deva. Está sendo implantado na humanidade, um Sistema Unitivo que congregará toda a raça humana e nos dará possibilidade de acessar a vivência da Síntese no Coração (Bhavana). A obra de Mitra Deva, o Avatar Aquariano, obedece rigorosamente às Leis Universais estudadas na Yoga Brahma Vidya ou Ciência Sintética do Absoluto que é o referencial teórico principal de nossos estudos no Suddha Sabha Atma, do Suddha Dharma Mandalam.

Abordaremos a seguir dados relativos à Institucionalização da Mitra Brinda, ou Ordem de Mitra Deva, transcrevendo trechos do precioso Prefácio de um folheto intitulado: “O Avatar Bhagavan Mitra Deva - Mestre e Proclamador do Suddha Dharma”, divulgado na Índia na segunda década do século passado, por um importante Juiz da Corte de Madras e também importante membro da Sociedade Teosófica, o Dr. S. Subramanya Iyer. Sri Subramanya foi escolhido pelos Mestres para fazer o primeiro pronunciamento público sobre esta ancestral Organização Esotérica, sua constituição, seus princípios e seus objetivos. Iniciado como a Primeira Autoridade Iniciática Externa do Mandalam, também foi o primeiro a trazer a público algumas informações sobre o Avatar Mitra Deva. Destacamos os seguintes trechos do Prefácio da obra acima citada e publicada em 1923:

“...apenas um seleto grupo de membros do Mandalam, que ocupavam alto nível na Organização, sabiam a respeito. Daquela época para cá foi compilado um elaborado trabalho em sânscrito para divulgar seu Advento como Mestre do Suddha Dharma Mandalam e Sua Missão. A publicação referida servirá como uma autêntica história a respeito do assunto para preservação nos arquivos do Mandalam. Se esta história será publicada no futuro próximo, a fim de ser accessível aos leitores em geral, é mais do que alguém pode predizer...”

O mesmo prefácio aponta-nos também uma região geográfica específica no Globo terrestre:

“...Brahma Vanan, um dos retiros secretos do Suddha Dharma Mandalam, nas fronteiras ao sul de Kashimir. ...”

“...muitos dos membros, os quais até então haviam se devotado ao trabalho espiritual do silêncio, deslocaram-se para os quatro cantos do mundo a anunciar a Suddha Dharma e a buscar reformas na vida do povo em geral, não apenas na Índia, mas também em outros países.”

“... quatro dos mais elevados e evoluídos membros do Mandalam, a saber Swami Sivananda, Swami Atreyananda e dois outros membros, todos bem fluentes na língua inglesa, dirigiram-se aos Estados Unidos da América e estão estudando as condições do local, antes de começarem a intervenção como pioneiros nessa linha de trabalho...”

“...O Advento trará com ele fundamentais e salutares transformações na vida social, nacional e da raça através de todo o mundo, sem o que não poderá ser colocado um fim aos muitos males que atualmente afligem a humanidade, e, em conseqüência disso, melhorar a condição de todos os seres nos séculos que virão...”

Segundo as informações dessa publicação, o nascimento de Mitra Deva ocorreu em 16 de janeiro de 1919, às 17:30 horas, data que corresponde ao Pushya Suddha Pournima. No dia da Lua Cheia de Vaisakha (14 de maio de 1919) a Criança Divina no colo de Sua Mãe, cujo marido há algum tempo falecera, foi transportada sob os benéficos cuidados de Grandes Seres e alcançou Srivana ou a Floresta Bilva, uma das cinco florestas nas proximidades de Maha Guha, uma Grande Gruta nos Himalayas onde estão ocultos, sob a guarda dos Mestres, ensinamentos milenares sobre a Ciência Sintética do Absoluto. As outras quatro Florestas são conhecidas como Samyak Vana, Amra Vana, Maha Vana ou Brahma Vana e Bakula Vana. O Avatar continuou a conviver e a crescer nessa morada. Após um lapso de 5 dias, a partir do quinto mês do quinto aniversário de nascimento de Bhagavan Mitra Deva (portanto 5 anos, 5 meses e 5 dias após seu nascimento) foi iniciado um Maha Yagna. Do começo e até a conclusão deste Yagna, Bhagavan Mitra Deva, em companhia de outros Mahatmas, ficou em Samadhi (estado de consciência no qual uma pessoa eleva a sua consciência individual ao nível Átmico, tornando-se capaz de discernimento universal) em Brahma Vana. O Avatar, cuja atuação acontece no nível sutil, uma vez que não é dotado de um corpo físico semelhante a nós humanos, está estabelecendo um campo de energia no planeta Terra. Ele já pronunciou alguns discursos ou declarações, porém o quinto discurso do Avatar que aconteceu em 30 de setembro de 1922, interessa especialmente a nós, pois versava sobre o significado da Yoga Brahma Vidya (Ciência Sintética do Absoluto) e seus benefícios já mencionados para o mundo. Lembramos ao leitor mais uma vez que nossa Organização e sua proposta de trabalho estão fundamentadas no estudo desta Ciência.

O sexto discurso foi especificamente sobre sua Missão de Avatar. Ele falou sobre o propósito de seu advento e discorreu sobre as obrigações dos membros do Mandalam para a plenitude de seu trabalho. Por este motivo foram tomadas as seguintes decisões:

1. A formação da Mitra Brinda ou Ordem de Mitra Deva.

2. Encontros e designação de oficiais em vários lugares para proporcionar Iniciação.

3. Organização para a remoção e transferência dos Pitas ou Centrais de Postos Oficiais, criando e restabelecendo Sankhus, além de investir cada um destes centros com poder .

4. Instrumentalização e inspiração dos discípulos e membros já engajados na disseminação da Suddha Dharma.

5. Estabelecimento de 24 Yoga-Ashrams neste país e em outros.

6. Elucidação através de escritos autorizados pela Hierarquia, sobre a existência dos Mahatmas, que irão propagar a Suddha Dharma nesses diferentes Centros.

Antes de finalizar o trabalho sobre o Yantra de Mitra Deva, queremos mencionar outro importante Mantra, também ligado à Energia do Avatar. Na literatura Suddha, Maya ou Yoga Devi, também chamada de Brahma Shakti, ou energia de Brahman, significa “Energia Divina” ou “Pura Energia” ou ainda “Shakti” ou “Poder/Potência”. Ela é a conexão entre espírito e matéria. Shakti é portanto a Energia Potenciadora, a energia consciente de Brahman que promove o funcionamento do Princípio Vital (Atma ou Ser Individual) na Prakriti (matéria primordial). Sri Yoga Devi, a Mãe Divina, que corresponde portanto, em linguagem cristã, à energia do Santíssimo Espírito Divino, ordenou que, como procedimento para a prosperidade terrena e avanço espiritual, todos os membros do Mandalam deveriam repetir esstes versos diariamente, além de fazer a recitação deles em cada dia de Lua Cheia de Vaisakha (Lua Cheia de Maio).

Aum, Saudações a Mitra Deva, Mestre de Brahmico Resplendor.  Com o coração purificado, eu me aproximo de Ti com reverência para a legítima assimilação do Suddha Dharma, Eu fervorosamente invoco a Luz de Mitra Deva, de Verdade Absoluta, para que ele possa inspirar divinamente meu intelecto para que eu compreenda que Narayana é o Todo.

OM OM OM HRIM HIM MAN NAMAH.

OM NAMO MITRA DEVAYA
GURAVE BRAHMA VARCHASE
UPASE TWAM SUDDHA DHARMA
SIDDHAYE AMALANCHETASA

TAT SUDDHAM MITRADEVASYA
TEYAH SATYAM SUDDHIMAHI
NARAYANA PARA DIVYA
DIYOYANNAH PRACHODAYAT

OM OM OM HRIM, HIM, MAN, NAMAH

 

O Yantra de Mitra Deva
Para nós ocidentais torna-se difícil compreender a irradiação de energia transmitida por uma simples medalha, um talismã de forma circular e cheia de caracteres em sânscrito, para nós totalmente desconhecidos e irrelevantes. Porém se aceitarmos que esta forma circular contém um traçado geométrico adequado à circulação de certo tipo de Energia no planeta e que as sílabas em seu interior são sons de poder, que invocam 32 Grandes Siddhas (arcanjos), que acompanham e supervisionam a evolução terráquea, nossa mente pode começar a abrir-se para os procedimentos necessários para acessar as forças que Mitra Deva comanda neste instante, no planeta Terra. Ao nos colocarmos diante deste Yantra, com a adequada postura de nosso corpo mental-emocional, de nosso intelecto e de nossos instrumentos físicos e sutis de ação, recebemos a adequada carga de informações e energias que cada um de nós pode suportar, de acordo com nosso dharma individual e coletivo. É como se nossa individualidade fosse um chip, acoplado a uma memória maior, mas que só pode receber e registrar segundo sua capacidade potencial.

A Energia de Brahman ou Shakti Divina se apresenta em três aspectos:

a) O aspecto criativo ou Devi-Shakti.

b) O aspecto funcional ou Isha-Shakti, também conhecido como Kalyana Shakti.

c) O aspecto de consumação ou gunamay-shakti que se subdivide em três outras energias. A primeira resulta na ação externa, a segunda, causa as vibrações emocionais da mente, e a terceira conduz à transmutação atuando no nível do intelecto superior.

Os aspectos “a” e “b” correspondem ao que se denomina Yoga Shakti e conduzem à Síntese ou Yoga, através do “despertar do senso de unicidade”, ou seja, ao Estado de Comunhão com todos os seres, através de “Dhriti” que é a faculdade de reunir ou Sintetizar por meio do discernimento. O aspecto “c” é a energia usada por nós, humanos, em evolução . Os Mahatmas (Grandes Seres de alta evolução espiritual) utilizam-se para suas manifestações da Devi Shakti, ou seja, do aspecto criativo da Yoga Shakti. A Isha-Shakti ou Kalyani-Shakti – ou aspecto funcional da Shakti de Brahmam – é a energia transmitida exclusivamente pelo Iswhara que é o Princípio Divino em sua condição Ativa, tanto internamente no homem como no Cosmos. E é exatamente essa energia – ou o aspecto funcional da energia divina – que é modificada para formatar ou dar forma ao Avatar requerido para cada ocasião. Tal potência ou poder energético “faz funcionar” no mundo a Capacidade Sintetizadora utilizada pelos Avatares para os saltos evolutivos planetários.

Cabe salientar que também os Avatares trilharam, em tempos idos, a escada da evolução (em nosso planeta ou em outras paragens). Eles se despojaram de todos os limites do Eu separado, personalizado. Embora mantendo sua individualidade (como seres únicos) expandiram-se dentro da consciência total do Senhor, tornando-se unos no saber, como sempre haviam sido unos na essência com aquela Vida eterna da qual originalmente surgiram, vivendo nessa vida. Um Avatar é um Centro Vivo, unido ao Supremo. Durante a fase em que Ele foi humano, duas características especiais são a marca de seu labor: sua absoluta devoção ao Supremo e sua dedicação de permanecer a serviço do Universo.

Apresentamos o Yantra de Mitra Deva. Aqueles entre os membros consagrados neste Sabha, após passarem por um Estágio Probatório e tornarem-se membros internos do Sudha Sabha Atma, serão convidados pelo Ganana-Datha a tornarem-se membros da Ordem de Mitra Brinda. Receberão sua bijakchara (sílaba mística) e passarão a usar em sua pessoa uma cópia consagrada desse Yantra, em ouro ou prata. Todos os membros consagrados deverão desde já pronunciar, às sextas-feiras, o Mantra deste Yantra que contém as iniciais do nome dos 32 Siddhas e 5 bijakcharas, ou sílabas de poder sobre as quais estudaremos em outra ocasião.

OM NAMASTE NARADEVAYA
HRIM NAMO NARAYANAYA CHA
SHRIM BADARI VANA NATAYA
KLIM YOGINAM PATAYE NAMAH
OM NAMO NARAYANAYA
NAMAH SIDDHA KUMAREBIAHA
NAMO DAKSHINAMURTAYE
HRIM SHRIM KLIM SHRIM AIM SAUH
SAH HAM, AYARO HAM
HAM SAH AMRITO HAM
AIM RAM RAM KLIM GLAUH
KRIM SAUH BAM DUM OM

OM GLÓRIA A NARADEVA
HRIM GLÓRIA A NARAYANA
SHRIM QUE NOS BOSQUES DE BADARI
KLIM DOS YOGUIS É O SENHOR
OM HRIM SHRIM KLIM AIM SAUH
OM GLÓRIA A NARAYANA
GLÓRIA AOS SIDDHAS KUMARAS
GLÓRIA A DAKSHINAMURTI
HRIM SHRIM KLIM SHRIM AIM SAUH
SAH HAM SEM NASCIMENTO SOU EU
HAM SAH SEM MORTE SOU EU
AIM RAM RAM KLIM GLAUH
KRIM SAUH BAM DUM OM

 yantra

Cada letra em sânscrito que compõe a primeira parte desse mantra representa a sílaba inicial do nome dos 32 Siddhas-Nayakas,     que são aqueles seres que alcançaram o grau de Siddhas e que estão sob as ordens imediatas de Sri Bhagavam Narayana.

  1. NAradeva
  2. MAdhushyanda
  3. pana
  4. NAvanayaka
  5. RAngadeva
  6. DEvapi
  7. VAyana
  8. YAgnanandana
  9. NArmada
  10. MOksha-Deva
  11. NArada
  12. RAma
  13. YAgnada
  14. NAakshara
  15. YAkshara
  16. CHAndra-Bhanu
  17. BAdara
  18. DAsanatha
  19. RImkhana
  20. VAnajaekshana
  21. NAandi
  22. NAgarjuna
  23. THaní
  24. YAvaná
  25. YOganayaka
  26. GIhaspati
  27. NAandirat
  28. PAnasa
  29. TApah-Prabhu
  30. YErandá
  31. NAndibhadra
  32. MAdhunata

Nas pontas dos dois triângulos que se cruzam dentro do círculo desse Yantra temos as sílabas de poder: OM HRIM SHRIM KLIM AIM SAUH.

Bhagavan Mitra Deva, amante da humanidade e Divino Amigo do mundo sofredor, permitiu criar a Ordem de Mitra Brinda, com seus vários Centro de Poder, ou Portais para a Luz. O seu Yantra ali venerado é apenas a senha de acesso ou chave para acessar Sua obra maior no planeta. Este Yantra permite aos seguidores deste Avatar acessar os níveis onde estão sendo processadas as grandes transformações da raça humana, conforme a Missão do Sidhavatar do agora. A Sua dedicação à humanidade assinala esta grandiosa Personalidade ou Presença do Avatar de Aquarius entre nós e conclama-nos a imitá-lo. A não ser que dentro de nós haja amor por tudo quanto existe neste universo de Deus, não seremos capazes de segui-lo. A não ser que silenciemos e fortaleçamos nossa mente no espírito da Unidade entre todos os seres, não alcançaremos as Portas de nossos próprios corações.

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