Pequeno Estudo Sobre o Guru

Quarta, 25 Setembro 2013 13:45 | Escrito por 

“Dedicado, com amor e reverência, a Mitra Deva, o Guru de Brâhmico Esplendor e a todos os Suddha-Gurus”.

 

O Caminho do discipulado é a luminosa Senda que conduz o aspirante ao Santuário do Coração.

“Sou a austeridade na disciplina de todos os aspirantes e o Guia Daqueles que vão pelo Caminho do Discipulado”. (GITA – XXV.19)

Não podemos chegar ao “longínquo Santuário” por outra Senda. Muitos de nós, iludidos pelo Ahankara, se afastam desse caminho e se entregam a vãos esforços.

O Guru é aquele irmão de Misericórdia que a Divina Providência colocou em nossa vida para nos conduzir ao coração.

Os Mestres do Mandalam declaram que a rendição ao Guru é um ponto fundamental para realização da vida espiritual e da Yoga.

O Divino Mestre Jesus e outros Grandes Seres que conhecemos trilharam o luminoso Caminho do Discipulado, negando a sua vontade para fazerem a Vontade do Pai.

A rendição de Arjuna constitui o exemplo mais claro a ser seguido por nós do Mandalam.

Este pequeno estudo condensa, apenas, o esforço de um grupo de irmãos pequeninos que anseiam de coração a graça de um dia poderem reverenciar os Bem-Aventurados Gurus.

 

A VITÓRIA SOBRE O AHAMKARA

Diz-se que o egocentrismo impede a correta percepção do dever, obstaculizando a reta ação. A rendição ao Guru é o meio de vencer-se essa debilidade.

“Meu entendimento se desvia pelo corrupto apego pessoal ao fruto da ação (egocentrismo), ignorando o Supremo Dharma (Suddha Dharma), que aspiro conhecer por Ti. Instrui-me nessa ciência que tem sido divinamente revelada. Eu sou Teu discípulo, salva-me, Oh! Senhor!, rendendo-me Te suplico (GITA – I,53).”

“E foi precisamente para livrar-se das garras do EGOCENTRISMO – KARPANYA DOSHA que, rendendo-se totalmente ao Senhor e buscando sua graça, ele (Arjuna) pediu os conselhos do Senhor, inquirindo – O quanto aos meios para transcender esta debilidade, seja durante a ação objetiva – PRAVRITTI ou ação subjetiva – NIVRITTI. Pode-se afirmar que essa debilidade impede a correta percepção do Dever (Sanátana Dharma), o que se torna “Dharma Sammudhachetala”. (R. Vasudeva Row, em Introdução ao Estudo do Srimad Bhagavad Gita).

 

O SINAL DO VERDADEIRO ASPIRANTE

O Sinal que distingue o verdadeiro discípulo é a sua entrega incondicional ao Guru. Este é o ensinamento do Bhagavad Shastra, contido no versículo 53, Capítulo I, das notas elucidadas nos versículos do Bhagavad Gita.

“O que caracteriza um verdadeiro discípulo é a sua absoluta rendição ao guru e o refúgio que busca Nele”.

 

REVERÊNCIA AO GURU

A reverência ao guru é um dos artigos da Lei Divina – Suddha Dharma. Assim é porque, em verdade, o Guru é o legítimo Representante do Supremo Brahman:

“...Eu mesmo, através dos Hierarcas que Me representam, promulgo, de tempo em tempo, a ciência correspondente às necessidades e conservação dos seres (Gita – II.5)”.

“Sou o Autor de todas as ciências. Todas as mudanças no mundo de Mim emanam. Assim sabendo, os Hierarcas acordes com Minha Ideação, são devotos dedicados a Mim”. (Gita – IV.3).

“Os Sete Antigos Rishis, como também os quatro Manus, os Madbhavas, os Manasas e os Yathas têm a seu cargo a supervisão de todos esses seres. (Gita – IV.6).

 

SAMYA YOGA

Como o Guru é o Representante do Supremo Brahman, a veneração a ele faz parte da disciplina do Samya-Yoga:

“...Venerando o Mestre (Gita V.9).

 

A GRAÇA DIVINA

Diz-se que o Guru é o canal que conduz a graça do Supremo Brahman:

“Eu busco Tua Graça inclinando-me e prostrando-se ante Ti. Tu és o Senhor, digno de toda adoração. Oh tu, Divino! Considera-me como o pai olha o filho, o amigo ao amigo, como o amante à amada.” (Gita – XXVI.47).

“Minha ignorância tem sido dissipada e minha memória, através da Tua Graça, tem sido recobrada por Mim! Oh Tu Imaculado! Permaneço diante de Ti, livre de toda dúvida. Executarei todas as Tuas ordens”. (Gita – XXVI.48).

 

O ÊXITO NA RAJA YOGA

No Suddha Raja Yoga, Sri Hamsa Yogui ensina que a graça ao Guru constitui um dos requisitos necessários para se alcançar êxito na Raja Yoga:

“REQUESITOS NECESSÁRIOS PARA ALCANÇAR BOM ÊXITO NA RAJA YOGA. OS FRUTOS DE TAL ÊXITO.

...pela Graça dos Preceptores.

 

O ELEVADO CONHECIMENTO

Afirma-se que a amizade com os Suddhas, que compõem a Divina Hierarquia, da qual faz parte o guru, constitui um dos requisitos necessários para que o aspirante logre o elevado conhecimento espiritual:

“...os Yoguis, sendo devotos de Mim e fortalecidos pela amizade com os Suddhas, obtém o mais elevado conhecimento. (Gita – II.24).

 

OS PERIGOS DO CAMINHO

Declara-se que, embora o progresso do discípulo dependa do seu zelo e esforço, a ajuda dos gurus é indispensável porque somente Eles podem revelar os perigos do caminho e a maneira de evitá-lo:

“Tal disciplina, que facilita um seguro progresso é a Raja Yoga e é dada aos aspirantes em conformidade com a inalterável base do antigo sistema, cujo segredo é de exclusiva propriedade dos hierarcas da Suddha Dharma Mandalam. A prudência dos mesmos fica inteiramente ao determinar quando pode confiar-se a um aspirante a prática da disciplina. Somente eles podem iniciar a um aspirante nos mistérios desta e ninguém senão Eles podem guiar ao discípulo segura e retamente e ainda que o progresso dependa do seu zelo e esforço, a ajuda dos hierarcas segue sendo indispensável, porque só Eles podem revelar os perigos e a maneira de evitá-lo”. (Uma Organização Esotérica na Índia, página 109).

 

AS PRÁTICAS DO ASPIRANTE

Os aspirantes devem executar suas práticas de Raja Yoga de acordo com as normas que lhe forem dadas pelo guru.

“O Dasa que foi purificado com o sacramento chamado Upanayama deve praticar a Raja Yoga de acordo com as normas que lhe deu seu Instrutor até que haja alcançado a etapa Svaradaya (Sanátana Dharma, pag. 220).

“Se deve praticar firmemente a meditação no divino e auspicioso Ekakshara em união com Mahat, tal como o ensinou seu Instrutor, de acordo com a natureza do discípulo. (Sanátana Dharma, página 220).

 

O MATRIMÔNIO BHÂHMICO

O matrimônio Brâhmico é a união do Ser com a Yoga – Shakti. Diz-se que o Guru é o elo que proporciona esta sagrada união, sendo também o canal por onde flui a Graça de Sri Yoga Devi:

“Se descreve o matrimônio de Brahma como a união entre o Ser com a Yoga-Shakti. Esta união é um reflexo que existe entre o Supremo Purusha e a Prakriti”. (Sanátana Dharma, página 219).

“Todos os atos auspiciosos que se descrevem nas Nove e Cinco Promessas, mais os Três Votos, são os atos de serviço aos quais se dá o nome de ritos matrimoniais.” (Sanátana Dharma, página 219).


A PRESERVAÇÃO DO MATRIMÔNIO BRÂHMICO

Afirma-se que o Guru representa um papel de fundamental importância para preservação do Matrimônio Brâhmico:

“Instrutor – Um Matrimônio Brâhmico acaba de realizar-se entre Vós e os devotos do Parabrahman que perdurará enquanto vivas. Este não se poderá dissolver jamais, em nenhum tempo, nem circunstância alguma.”

“Discípulo – Agora, se há efetuado um enlace por meio do rito Brâhmico. Declaro, em verdade, que jamais quebrarei as ordens do Instrutor (Sanátana Dharma, página 246).

 

BRAHMO-PANAYANA

Diz que o melhor tempo para a prática da Iniciação Brâhmica (Brahmo-Panayana) é aquele em que o Instrutor e o discípulo estão ambos desejosos, um de dar e o outro de receber:

“11. O melhor tempo é aquele em que o discípulo e o Instrutor estão desejosos, um de receber e o outro de dar o conhecimento do Suddha Dharma. (Sanátana Dharma, página 222).

 

A TYAGA

A Reverência ao Guru constitui uma das austeridades (tapas). Por meio dela, o aspirante faz a entrega de seu corpo à Divindade:
“Tudo isto corresponde ao que se deve entender como austeridade do corpo:

...Reverência ao Guru

O versículo citado acima é o capítulo IX ver. 14 do Bhagavad Shastra, o Srimad Bhagavad Gita, que contém a Ciência Sintética do Absoluto, a Yoga Brahma Vidya.

 

PRECEITO DE UM GURU

Aconselha aos discípulos o cuidado com sua dieta e outras condições objetivando constituir seus vários corpos, denso e sutis com matéria que se adapte ao ritmo da meditação e da Yoga:

“...Se tem cuidado de sua dieta e outras condições a fim de constituir seus vários corpos denso e sutis com matéria adequada ao ritmo da intensa meditação e Yoga; durante estes cursos se indica ao discípulo ungüentos e elixires que o habilitam para lutar com a tensão que causa em seu organismo estas disciplinas (R. Vasudeva Row, em Uma Organização Esotérica na Índia).

 

NAMASKARA

“Senhor eu estou aqui, cheio de faltas, sem nenhum conhecimento da Tua Verdade, sem nenhuma Percepção Divina. Vem Tu a mim, Senhor, e purifica a minha embotada compreensão”. Por meio deste auspicioso Namaskara, fazemos a entrega de todo o nosso Ser ao Supremo Guru e a todos os Bem-Aventurados Gurus:

“AHAMASMI   APARADANAN   ALAYO

AKINCHANO   AGATIHI   TWAMEVA

UPAYA   BUTAME   BHAVA”.

 

A FORÇA DO ASPIRANTE

O Guru é o nexo que une o discípulo à Divina Hierarquia. Essa união o coloca em contato com a Yoga-Shakti. Sem tal união, ele está empenhado em vãos esforços:

“Em conseqüência, a efetividade das sílabas místicas, para os fins assinalados no Dípika, depende de que haja uma relação direta entre o aspirante que as usa e a Hierarquia. Somente se o aspirante tiver sido posto em contato com a Yoga-Shakti podem as sílabas místicas ser autênticos instrumentos de comunhão com as Entidades Espirituais que o aspirante deseja invocar por meio delas. De mais, esta Yoga-Shakti não é outra coisa que a Graça e o Poder que fluem do Brahma-Chaitanyam ou Luz do Ishwara, que guia e supervisiona todo o labor da Hierarquia. (Extraído do Livro Yoga-Dípika)

 

A FLOR DA GITA

A entrega que Arjuna faz de si mesmo ao Guru Divina foi o acontecimento auspicioso que fez nascer a Flor da Gita, que contém o néctar as sabedoria suprema.

“Finalmente, a frase 13, como adverte Hamsa Yogui, indica a entrega que fez de si mesmo Arjuna ao Senhor, a fim de obter dele uma exposição completa do Dharma que deveria de reger durante a época que se estava iniciando e de cujo Dharma a humanidade que ele representava na ocasião nada sabia e era preciso revelá-lo. Em boas notas, esta entrega que Arjuna fez de si mesmo foi o acontecimento sagrado que chegou a culminar na Flor da Gita, a qual contém o néctar da Sabedoria Suprema. Se esta entrega e dedicação de Arjuna, que era Avatar de Nara e representante da humanidade ante o senhor, era necessário para conseguir dele o Dharma que a dita humanidade deve aprender e seguir, quanto mais estamos nós obrigados, como criaturas menores, a prostrar-nos sem reservas alguma aos pés daqueles Mestres de compaixão, aos quais Shankara se refere no parágrafo notável de seu comentário ao Mundakopanishad, citado ao final deste proêmio. E também implorar-lhes, com humildade e fé, que nos ilumine e guiem, já que estão sempre prontos a conceder nossos legítimos anelos”. (Extraído do Sanátana Dharma, página 33).

 

O HINO AOS GURUS

OM YOGA DEVI SHAKTI OM

OM NARAYANAYA SHAKTI OM

OM MITRADEVAYA! TEYAS OM

OM KUMARABHYAHA GNANA OM

NAMO NAMAHA  NAMO NAMAHA!

 

PRECE AO DIVINO GURU

 

 

Reverência a Ti, Mestre, amigo do mundo oprimido, oceano de compaixão. Salva-me porque estou afundado no mar da vida. Dirige para mim o Teu olhar firme, do qual se irradia retitude e compaixão, porque estou queimado pelo fogo ardente da vida passional, difícil de extinguir. Sou impelido para lá e para cá pelo destino adverso, e encontro-me cheio de medo. Venho a Ti em busca de refúgio.

Salva-me da morte porque nenhuma salvação conheço. Os poderosos seres que atingiram a paz vivem na retidão, trazendo vida ao mundo com a primavera que se aproxima. Eles, que há seu tempo, atravessaram o terrível mar da vida passional, auxiliam os outros a transpô-lo, com uma compaixão que não pede retribuição. É da essência desses seres, de alma poderosa, dedicados por curar as tristezas alheias, tal como a lua de raios nacarados refresca a terra abrasada pelo fogo terrível do Sol.

Derrama sobre mim as Tuas palavras de vida imortal, que trazem a felicidade dos ensinamentos sagrados, à proporção que saem do vaso de Tua voz clara, estimulante, purificadora, inspirada por Tua própria experiência na essência gozosa do Eterno.

Mestre, estou consumido pelas chamas ardentes, pelo calor abrasador desta vida passional! Felizes aqueles sobre os quais descansa, mesmo por um momento, o Teu bondoso olhar! Tornam-se, por eles mesmos, aceitos e passam a pertencer a Ti. Como poderei eu atravessar este oceano da vida passional? Que caminho há para mim? Qual o meio de salvação? Não conheço nenhum. Abriga-me, Mestre, na Tua compaixão. Salva-me da dor e da destruição desta vida assediada pela morte.

Asmat Gurubio Namaha
Glória ao anjo de minha guarda.
Namastê
OM OM OM

 

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