Do Mestre ao Discípulo - Sobre Dar e Receber

Quarta, 04 Setembro 2013 15:07 | Escrito por 

"Aprender é descobrir aquilo que você já sabe. Fazer é demonstrar que você sabe. Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você. Vocês são todos aprendizes, fazedores e professores”    Richard Bach, no livro Ilusões.

Um círculo. Certamente, em algum momento, você já deu as mãos, fazendo um círculo, com outras pessoas, mesmo que para brincar de roda. Você prestou atenção às palmas da sua mão, ao segurar a mão da pessoa que está à sua direita e à sua esquerda? As palmas de suas mãos voltam-se, ambas, para cima ou para baixo? Ou uma mão está voltada para cima e outra para baixo? 

O círculo é uma forma perfeita, onde dois pontos se encontram formando um elo, uma corrente, uma união;  todos podem ver e ser vistos, sem que  ninguém esteja à frente ou atrás. No círculo  não existe quem sabe mais e nem quem sabe menos… Todos têm sabedoria e experiência de vida únicas. O círculo simboliza o dar e receber contínuo em nossas vidas: enquanto estou dando com uma mão, estou recebendo com a outra. É por isso que, ao formarmos um círculo, devemos dar as mãos da seguinte forma: a palma da mão direita fica voltada para baixo e a da esquerda voltada para cima. A mão direita representa nossa força, nossa capacidade de ação no mundo, o fazer. E, quando nos sentimos fortes, podemos sempre estender nossa mão e ajudar o outro. A mão esquerda é a mão do coração representa o nosso lado frágil e, quando estamos fragilizados, é importante todo o apoio, palavra e mão amiga que recebamos.

Dar e receber.- Há pessoas que sabem dar, mas não sabem receber e vice-versa.  outras que dão esperando receber algo em troca, outras ainda que recebem e nada dão. Há pessoas com medo de dar e lhes faltar, outras que estão sempre dando e, nunca lhes falta nada, parece que estão sempre em estado de abundância e gratidão. Onde será que está o ponto de equilíbrio entre dar e receber?

O ponto de equilíbrio é o  amor incondicional. Quando nos ligamos pelo amor a outro ser , algo sutil e precioso pode acontecer. A energia flui e não tem mais importância o dar e o receber, pois eles passam a fazer parte de um só movimento:  da entrega ao fluxo… Ligamo-nos à grande energia que rege o universo… Passamos a conhecer as circunstancias da vida, e a saber ouvir as próprias necessidades e as necessidades dos outros, sem contabilizar, sem cobrar… Passamos a entender profundamente cada momento e cada pessoa, como são. E aprendemos que dar é receber, receber é dar.

Finalizamos com uma estória adaptada de um conto de Hermano Hesse:

“José e Daniel foram dois renomados curandeiros que viveram em tempos bíblicos. Ambos eram muito eficazes, ainda que trabalhassem de maneiras e  estilos diferentes. Ainda que contemporâneos, nunca tiveram um encontro e se consideravam mutuamente rivais. Foi assim durante anos, até que José, o mais jovem, adoeceu espiritualmente. Desesperado e sentindo-se incapaz de curar-se , partiu em peregrinação buscando a ajuda de Daniel. Durante seu percurso, descansando em um oásis durante a noite, iniciou uma conversa com outro viajante que, ao escutar o propósito de sua viagem, ofereceu-se como guia para ajudá-lo em sua busca por Daniel. Partiram juntos e, no meio de sua longa expedição, o homem mais velho revelou sua identidade. Ele era Daniel, a quem José procurava. Ato contínuo, passado o assombro de José, Daniel o conduziu até sua casa, convidando-o a permanecer ali. No princípio, diante do pedido de Daniel, José foi seu servente. Logo aprendiz e, finalmente, um colega de igual hierarquia. Assim viveram e trabalharam juntos muitos anos. Anos depois, velho e doente, Daniel pediu a José que escutasse uma confissão. Começou recordando seu encontro no oásis quando José, doente, viajou em busca de sua ajuda e como José havia considerado milagroso aquele encontro. Agora, enfrentando sua própria morte, Daniel quebrou o silêncio de tantos anos confessando que, para ele, também foi milagroso. Ele também, naquela época, havia caído em um sombrio desespero, sentindo-se vazio espiritualmente e incapaz de curar a si mesmo. Aquela noite do encontro, ele havia iniciado sua própria viagem em busca da ajuda do famoso curandeiro chamado José.”

NAMASTÊ

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