Educar para a Vida - Desprograme-se! Seja Você Mesmo!

Quinta, 05 Setembro 2013 16:44 | Escrito por 

É muito importante você reconhecer que até agora foi um ioiô, subindo e descendo de acordo com os problemas, os desgostos ou depressões que enfrenta; que foi incapaz de manter um nível de estabilidade. É preciso aceitar que passa a vida à mercê de outras pessoas, de coisas ou de situações.

Que esta sendo manipulado ou que pode manipular os outros, as coisas e as situações. Que não é dono de si mesmo, nem consegue olhar as situações com sossego, sem pressa nem ansiedade.

Toda essa atitude depende apenas de nossa programação. Nós somos programados desde a infância pelas convivências sociais, pelo que chamam de educação, ou cultura. Assim, vivemos dentro de uma programação, e damos as respostas esperadas, diante de determinadas situações, sem parar para pensar o que nós somos de verdade. Damos uma resposta habitual e mecânica. Somos programados conforme um conjunto de idéias convencionais e culturais, que tomamos como verdade, quando não o são. Por exemplo, a idéia de pátria, de fronteira e de hábitos culturais, que inclusive nos levam a conflitos, quando nada tem a ver com a realidade.

DEPROGRAME-SE!

Quando viajava para cá, no avião, alguém me disse: “Olhe, já saímos da Índia. Ali está a fronteira.” Cheguei à janela e, por mais que eu olhasse, não vi linha alguma, nem barreiras naturais de separação. Por acaso existem fronteiras na natureza? Elas estão apenas na nossa mente. A terra inteira é de todos, e toda cultura nada mais é do que a idéia que nos separam.“Era uma vez um menino branco que se perdeu na selva e foi criado por uma tribo,de cultura diferente. Quando cresceu, casou-se com uma nativa daquela cultura. Aconteceu que, um dia, uma amiga de sua mulher perdeu o marido na guerra. Naquela noite, ao pensar na amiga sozinha, a mulher nativa disse ao marido branco: 'Eu gostaria que você fosse consolar minha amiga, que ficou sozinha, e, como ela já não tem marido, que você se deitasse com ela”. O marido, que ainda tinha na mente alguns traços originais de sua cultura, recusou-se, horrorizado. Mas, por fim, acabou concordando e fez o que a mulher pedira. Quando voltou, a esposa nativa lhe disse: “Sabia que era um bom homem e agora o amo ainda mais, por que você é caridoso, e me sinto ainda mais orgulhosa do marido que tenho”.

Que cultura maravilhosa! Mas como é difícil para nós compreendê-la e imitá-la. Não existe separação alguma nas raças, além de culturas, programadas em nossas mentes. Não existem fronteiras na natureza. A honra, o sucesso e o fracasso não existem, assim como não existe a beleza e a feiúra, por que tudo esta na maneira como encaramos a nossa cultura. É o aspecto cultural que provoca essas emoções diante das palavras pátria, raça, idioma ou povo. São formas diferentes de ver que estão programadas na nossa mente. A pátria é produto da política, e a cultura é a maneira de nos doutrinar.

Quando somos produto de nossa cultura, sem questionar coisa alguma, nós nos transformamos em robôs. A cultura, a religiosidade e as diferenças raciais, nacionais ou regionais foram impressas na nossa mente, e nós as interpretamos como se fossem reais. Ensinaram-nos uma religiosidade e uma forma de comportamento que nós mesmos não acolhemos, mas que foram impostas de fora, antes mesmo de termos idade ou discernimento para tornar nossa própria decisão. E continuamente aqui, com essas idéias, penduradas no pescoço, como uma pedra. Apenas aquilo que nasce e é decidido de dentro para fora é autêntico e pode nos libertar. As coisas que fazemos por hábito e que não podemos deixar de fazer porque nos dominam são coisas que nos tornam dependentes, escravos daquilo em que acreditamos, porque assim fomos programados. Só podemos assumir e considerar como nosso, alcançando assim a liberdade, aquilo que vem de dentro, que é analisado, comparado com nossos critérios e por nos posto em prática. Temos de nos libertar de nossa história e da programação a que fomos submetidos para poder responder por nós mesmos, e não de personagem para personagem. O mesmo acontece com aquilo que pensamos ser amor e que nada mais é do que um mero modelo cultural aceito pela mente. Não se pode viver sob as influências do passado. O mínimo que se pode fazer pelo amor é ser sincero, ter clareza de percepção e chamar cada coisa por seu nome verdadeiro, isto é, ser capaz de dar a resposta correta sem enganar os outros ou a si mesmo. Por amar a uma pessoa, partimos de nossa realidade e podemos dar uma resposta que corresponde a essa pessoa e à sua realidade do momento presente. Ninguém sabe o que poderá acontecer mais tarde, e por isso não devemos fazer promessas que não sabemos se poderemos cumprir.  Assim, o mínimo que se pode exigir do amor é sinceridade. A espiritualidade consiste em ver as coisas como elas são, e não através de lente cor-de-rosa. A espiritualidade deve nascer dentro de nós mesmos; e quanto mais autênticos formos, mais espirituais seremos.
(texto extraído do livro Auto-libertação)

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